O prato especial do dia no Clube do Choro é o violão de sete cordas. precisamente, é a versatilidade do violonista goiano-brasiliense Rogério Caetano, o terceiro vértice do triângulo de virtuosismo que forma o conjunto Brasília Brasil Trio, liderado pelo gênio brasiliense do bandolim Hamilton de Holanda e temperado pelos dedos velozes do violonista Daniel Santiago.
Rogério, que faz do violão sete cordas um sem-número de possibilidades melódicas e harmônicas, é o responsável pela base, aparentemente com menos liberdades criativas. Esse conceito é rediscutido no álbum de estréia de Rogério como artista-solo, Pintando o Sete.
O disco – costurado por participações de Mauro Diniz, Maurício Carrilho, Yamandú Costa, a dupla Zé da Velha e Silvério Pontes e os parceiros Hamilton e Daniel – é um cardápio musical variado com sambas, valsas, xotes e, sobretudo, choros. O instrumentista revela seu lado de compositor e debuta com uma obra de qualidade inegável.
O dedilhado de Rogério conversa com o virtuosismo de Yamandú Costa, com quem realizou o sensível arranjo de violões da canção Valsa de Mãezinha; reúne uma roda de samba enraizada no bairro carioca da Lapa em Carioquinha da Gema e Violão na Gafieira; e se absorve em momentos mais intimistas com as belas melodias instrumentais tocadas em violão-solo de Milena e da faixa-título. O repertório completa-se com Folia das Cinco, Saída Pela Esquerda e Amigos (com participação de Hamilton, Carrilho e o gaitista Gabriel Grossi).
O time escalado para acompanhar as sete cordas de Rogério no show está bem mais enxuto do que a formação do álbum: o parceiro Daniel Santiago faz o violão de seis cordas, André Vasconcelos, o contrabaixo e Gabriel Grossi, a gaita. O único que não participou do disco, mas engrossa o elenco do show, é o percussionista Sandro Araújo.
Pintando o Sete – Álbum de estréia do violonista Rogério Caetano (Dois de Ouro). 11 faixas. Show de lançamento do disco: hoje, amanhã e sexta, às 21h30, no Clube do Choro (Eixo Monumental). Ingressos a R$ 10 (inteira).