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Villa-Lobos, por ele mesmo

Arquivo Geral

16/07/2003 0h00

São centenas de discos diferentes, mas alguns chamam atenção pela dificuldade de encontrá-los. É o caso de Villa-Lobos Par lui-même, uma edição francesa de obras do maior compositor brasileiro regidas, como diz o título, por ele mesmo. São seis CDs que trazem um rico painel da música de Heitor Villa-Lobos, compositor que, embora tenha importância reconhecida, não encontra a mesma resposta em discos – quando não são muito raros, dificilmente têm a orquestração imaginada.

Esta seleção tem a vantagem de trazer as peças em estado bruto, da forma que foram imaginadas pelo compositor. As gravações foram realizadas entre 1954 e 1959, e contam com os sopranos Vistoria de Los Angeles e Maria Kareska, além de solistas como Magda Tagliaferro, Aline Van Barentzen (piano), Henri Bronschwak (violino) e Fernand Dufrene (flautas). Villa-Lobos rege o Coro e Orquestra Nacional da Radiofusão Francesa.

No primeiro disco, a integral de Descobrimento do Brasil, que não pode ser encontrada em nenhuma outra edição; uma composição importante e imponente – se há algo imponente na música memorialista e empolgante de Villa-Lobos –, dividida em quatro suites delicadas e orgulhosas. O clima ufanista é completado com a inclusão de Invocação em Defesa da Pátria.

As obras mais conhecidas do compositor brasileiro, as Bachianas Brasileiras e Choros, ocupam quatro discos – no volume 5, o próprio compositor procura explicar, em francês, o que é um choro. Uma aula curiosa, mas desnecessária, depois que ele apresentou seus Choros nº 11, para piano e orquestra, em três partes, no mesmo disco.

No último disco, composições menos famosas: Momoprecoce, uma fantasia para piano e orquestra, o Concerto nº 5 e a Sinfonia nº 4 “A Vitória”. É uma pequena e restrita amostra da capacidade do gênio de Villa-Lobos, mas trata-se de compilação bem representativa, embora o excesso na repetição das bachianas possa contrariar quem procura algo mais.

No entanto, a regência segura de um autor que não procura uma nova expressão além da música escrita no pentagrama põe o ouvinte diante de uma experiência rara, de sentir não apenas a interpretação de um estranho, mas o que passa pela alma do criador.

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    Arquivo Geral

    16/07/2003 0h00

    São centenas de discos diferentes, mas alguns chamam atenção pela dificuldade de encontrá-los. É o caso de Villa-Lobos Par lui-même, uma edição francesa de obras do maior compositor brasileiro regidas, como diz o título, por ele mesmo. São seis CDs que trazem um rico painel da música de Heitor Villa-Lobos, compositor que, embora tenha importância reconhecida, não encontra a mesma resposta em discos – quando não são muito raros, dificilmente têm a orquestração imaginada.

    Esta seleção tem a vantagem de trazer as peças em estado bruto, da forma que foram imaginadas pelo compositor. As gravações foram realizadas entre 1954 e 1959, e contam com os sopranos Vistoria de Los Angeles e Maria Kareska, além de solistas como Magda Tagliaferro, Aline Van Barentzen (piano), Henri Bronschwak (violino) e Fernand Dufrene (flautas). Villa-Lobos rege o Coro e Orquestra Nacional da Radiofusão Francesa.

    No primeiro disco, a integral de Descobrimento do Brasil, que não pode ser encontrada em nenhuma outra edição; uma composição importante e imponente – se há algo imponente na música memorialista e empolgante de Villa-Lobos –, dividida em quatro suites delicadas e orgulhosas. O clima ufanista é completado com a inclusão de Invocação em Defesa da Pátria.

    As obras mais conhecidas do compositor brasileiro, as Bachianas Brasileiras e Choros, ocupam quatro discos – no volume 5, o próprio compositor procura explicar, em francês, o que é um choro. Uma aula curiosa, mas desnecessária, depois que ele apresentou seus Choros nº 11, para piano e orquestra, em três partes, no mesmo disco.

    No último disco, composições menos famosas: Momoprecoce, uma fantasia para piano e orquestra, o Concerto nº 5 e a Sinfonia nº 4 “A Vitória”. É uma pequena e restrita amostra da capacidade do gênio de Villa-Lobos, mas trata-se de compilação bem representativa, embora o excesso na repetição das bachianas possa contrariar quem procura algo mais.

    No entanto, a regência segura de um autor que não procura uma nova expressão além da música escrita no pentagrama põe o ouvinte diante de uma experiência rara, de sentir não apenas a interpretação de um estranho, mas o que passa pela alma do criador.

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