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Vida de Tom Jobim vai para o cinema

Arquivo Geral

06/01/2005 0h00

Tom Jobim foi um apaixonado pelo cinema, fez muitas trilhas sonoras, foi amigo de cineastas com quem inventava cenas e roteiros nunca realizados. Agora, é ele quem vai para a telona. O filme definitivo sobre o músico será feito, este ano, por Nelson Pereira dos Santos, que se juntou à cantora Miúcha, ao também diretor Marco Altberg e ao filho de Tom, Paulo Jobim. As filmagens começam no segundo semestre, mas a sinopse já está pronta. “Serão dois longas, a exemplo do que fizemos com Sérgio Buarque de Holanda, um com parentes e amigos contando quem ele era e outro sobre sua obra, enfocando três temas recorrentes: o Rio, a natureza e o amor. Ia ser a mulher, mas falar de amor fica melhor”, adianta Nelson. “Como todo documentário, o roteiro é aberto, cabe nele o que Deus quiser e o Tom soprar.”

Ao contrário de Sérgio Buarque, cuja obra exclusivamente literária e voltada para o Brasil exigiu imagens extras, Tom Jobim tem farto material em cinema e vídeo, de shows, clipes e especiais para a televisão, no Brasil e exterior, e desde os anos 60, quando a bossa nova se tornou sucesso mundial. “Por isso, vai ser mais um filme de edição e nós preferimos esta forma de documentário”, comenta Paulo Jobim, que abriu os arquivos do Instituto Tom Jobim para os cineastas e está enfronhado no projeto, especialmente por ter Miúcha, Nelson Pereira dos Santos e Marco Altberg à frente. “Já houve outras propostas, mas a gente tinha o maior medo de ser representado por atorzinhos bonitinhos, que nem se pareceriam com as pessoas que somos.”

Nelson e Tom se conheciam havia décadas, mas só se cruzaram profissionalmente nos anos 80, na série para a Rede Manchete A Música Segundo Tom Jobim, perdida com a extinção da emissora. Antes, nos anos 70, quando o compositor, Miúcha, Vinícius de Moraes e Toquinho lotavam o Canecão, Nelson começou a escrever o roteiro de um musical de ficção que nunca saiu das primeiras páginas, apesar de ele ter filmado cenas de palco e de bastidores. “O filme não saiu porque o Aloísio de Oliveira explicou ao Nelson que nunca conseguiria ter músicos acordados antes das 8h da manhã, como é necessário no cinema”, conta Miúcha. Além de trabalhar na sinopse, com Nelson, ela será uma das entrevistadas, pela larga convivência que teve com o maestro. “Eu vou contar as histórias de bar”.

IluminadoO primeiro filme terá como base o livro Tom Jobim, Um Homem Iluminado, escrito por Helena Jobim, única irmã dele, biografia carinhosa lançada em 1995, ainda sob o impacto de sua morte, um ano antes. A idéia é abrir com Helena contando a infância e a adolescência do compositor, já que eles foram ligadíssimos. “Foi difícil e, ao mesmo tempo, uma catarse escrever esse livro. Cheguei a jogar fora todo o trabalho de seis meses, pois não queria ser piegas nem exagerar na dramaticidade, mas o filme será mais fácil, porque o contato inicial com o Nelson foi muito bom”, diz Helena. “Fico feliz porque será mais uma oportunidade de falar sobre o Tom e divulgar mais o livro. Foi minha única obra biográfica, entre os 14 livros que escrevi, pois me sinto uma romancista, acima de tudo”.

UrubuFoi por meio de um romance de Helena, Trilogia do Assombro, que Marco Altberg conheceu Tom. Em 1987, ele adaptou o romance para o cinema, com o título de Fonte da Saudade, e chamou o maestro para escrever a trilha sonora. “Ganhou prêmio no Festival de Gramado e, desde então, o Tom sempre vinha com idéias sobre filmes. Sugeriu até um clipe do Samba do Avião, filmado do ponto de vista do urubu. Ele dizia que sua música reportava a imagens e que se baseava nelas para compor”, conta Altberg, que antes havia tido rápidos contatos com o compositor. “Ele fez a música de Guerra Conjugal, de Joaquim Pedro de Andrade, do qual fui assistente de direção, mas só fui reencontrá-lo depois, nos anos 80. Nelson é o diretor ideal deste filme porque ele e Tom são parecidos, um corresponde ao outro em suas profissões”.

Às vésperas do Natal, Paulo, Nelson, Miúcha, Marco e Márcia (filha de Nelson Pereira e sua assistente) se reuniram para levantar as imagens em movimento de Tom e listar os possíveis entrevistados. Além de Helena, devem falar Tereza Hermany (a primeira mulher e mãe de seus dois filhos mais velhos) e Ana Lontra Jobim (sua viúva, mãe de Maria Luiza, a caçula), os filhos, os quatro netos e os músicos influenciados e/ou apadrinhados por ele. É uma lista infindável, pois inclui praticamente todos os músicos brasileiros dos últimos 50 anos e muitos do exterior. “Há pelo menos dois especiais de TV importantes sobre ele, Visão do Paraíso, sobre a Mata Atlântica, e o da Rede Globo, quando ele fez 60 anos, em 1987”, lembra Paulo. “Vamos também fazer uma chamada às coleções particulares. Muita gente gravou cenas e shows do Tom e a gente pode usá-las no filme.”

LocaçõesAinda neste mês, Helena Jobim, que mora em Belo Horizonte, deve ir ao Rio para acertar sua participação no filme e conhecer detalhes do roteiro. As gravações estão previstas para começar no segundo semestre, pois o projeto ainda deve ser submetido à Agência Nacional do Cinema (Ancine) para entrar em processo de captação de recursos. Nelson pretende também filmar locais onde ocorreram cenas importantes da vida de Tom Jobim (e, por conseqüência, da cultura nacional). “Tom sempre quis fazer um filme assim e adorava o trabalho do Nelson”, confessa Altberg, com a aquiescência de Paulo Jobim. “Depois de sua morte, sempre conversei com o Nelson sobre esse filme que, finalmente, está encaminhado”.

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    06/01/2005 0h00

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    Ao contrário de Sérgio Buarque, cuja obra exclusivamente literária e voltada para o Brasil exigiu imagens extras, Tom Jobim tem farto material em cinema e vídeo, de shows, clipes e especiais para a televisão, no Brasil e exterior, e desde os anos 60, quando a bossa nova se tornou sucesso mundial. “Por isso, vai ser mais um filme de edição e nós preferimos esta forma de documentário”, comenta Paulo Jobim, que abriu os arquivos do Instituto Tom Jobim para os cineastas e está enfronhado no projeto, especialmente por ter Miúcha, Nelson Pereira dos Santos e Marco Altberg à frente. “Já houve outras propostas, mas a gente tinha o maior medo de ser representado por atorzinhos bonitinhos, que nem se pareceriam com as pessoas que somos.”

    Nelson e Tom se conheciam havia décadas, mas só se cruzaram profissionalmente nos anos 80, na série para a Rede Manchete A Música Segundo Tom Jobim, perdida com a extinção da emissora. Antes, nos anos 70, quando o compositor, Miúcha, Vinícius de Moraes e Toquinho lotavam o Canecão, Nelson começou a escrever o roteiro de um musical de ficção que nunca saiu das primeiras páginas, apesar de ele ter filmado cenas de palco e de bastidores. “O filme não saiu porque o Aloísio de Oliveira explicou ao Nelson que nunca conseguiria ter músicos acordados antes das 8h da manhã, como é necessário no cinema”, conta Miúcha. Além de trabalhar na sinopse, com Nelson, ela será uma das entrevistadas, pela larga convivência que teve com o maestro. “Eu vou contar as histórias de bar”.

    IluminadoO primeiro filme terá como base o livro Tom Jobim, Um Homem Iluminado, escrito por Helena Jobim, única irmã dele, biografia carinhosa lançada em 1995, ainda sob o impacto de sua morte, um ano antes. A idéia é abrir com Helena contando a infância e a adolescência do compositor, já que eles foram ligadíssimos. “Foi difícil e, ao mesmo tempo, uma catarse escrever esse livro. Cheguei a jogar fora todo o trabalho de seis meses, pois não queria ser piegas nem exagerar na dramaticidade, mas o filme será mais fácil, porque o contato inicial com o Nelson foi muito bom”, diz Helena. “Fico feliz porque será mais uma oportunidade de falar sobre o Tom e divulgar mais o livro. Foi minha única obra biográfica, entre os 14 livros que escrevi, pois me sinto uma romancista, acima de tudo”.

    UrubuFoi por meio de um romance de Helena, Trilogia do Assombro, que Marco Altberg conheceu Tom. Em 1987, ele adaptou o romance para o cinema, com o título de Fonte da Saudade, e chamou o maestro para escrever a trilha sonora. “Ganhou prêmio no Festival de Gramado e, desde então, o Tom sempre vinha com idéias sobre filmes. Sugeriu até um clipe do Samba do Avião, filmado do ponto de vista do urubu. Ele dizia que sua música reportava a imagens e que se baseava nelas para compor”, conta Altberg, que antes havia tido rápidos contatos com o compositor. “Ele fez a música de Guerra Conjugal, de Joaquim Pedro de Andrade, do qual fui assistente de direção, mas só fui reencontrá-lo depois, nos anos 80. Nelson é o diretor ideal deste filme porque ele e Tom são parecidos, um corresponde ao outro em suas profissões”.

    Às vésperas do Natal, Paulo, Nelson, Miúcha, Marco e Márcia (filha de Nelson Pereira e sua assistente) se reuniram para levantar as imagens em movimento de Tom e listar os possíveis entrevistados. Além de Helena, devem falar Tereza Hermany (a primeira mulher e mãe de seus dois filhos mais velhos) e Ana Lontra Jobim (sua viúva, mãe de Maria Luiza, a caçula), os filhos, os quatro netos e os músicos influenciados e/ou apadrinhados por ele. É uma lista infindável, pois inclui praticamente todos os músicos brasileiros dos últimos 50 anos e muitos do exterior. “Há pelo menos dois especiais de TV importantes sobre ele, Visão do Paraíso, sobre a Mata Atlântica, e o da Rede Globo, quando ele fez 60 anos, em 1987”, lembra Paulo. “Vamos também fazer uma chamada às coleções particulares. Muita gente gravou cenas e shows do Tom e a gente pode usá-las no filme.”

    LocaçõesAinda neste mês, Helena Jobim, que mora em Belo Horizonte, deve ir ao Rio para acertar sua participação no filme e conhecer detalhes do roteiro. As gravações estão previstas para começar no segundo semestre, pois o projeto ainda deve ser submetido à Agência Nacional do Cinema (Ancine) para entrar em processo de captação de recursos. Nelson pretende também filmar locais onde ocorreram cenas importantes da vida de Tom Jobim (e, por conseqüência, da cultura nacional). “Tom sempre quis fazer um filme assim e adorava o trabalho do Nelson”, confessa Altberg, com a aquiescência de Paulo Jobim. “Depois de sua morte, sempre conversei com o Nelson sobre esse filme que, finalmente, está encaminhado”.

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