O artista plástico Bené Fonteles dá a largada para o megaevento Foto Arte 2004, hoje à noite, com a abertura da exposição Ausência e Presença em Gameleira do Assuará e lançamento do livro de mesmo nome, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional, com entrada franca.
Bené, que já foi editor de fotografia em vários jornais e desde os anos 70 usa a fotolinguagem no seu trabalho, se aventurou pela cidade de Gameleira do Assuará (no agreste baiano, a 40 minutos do Rio São Francisco), com um tamborete e uma máquina fotográfica “super simples”, segundo sua descrição. O resultado são imagens sutis, que retratam detalhes da pequena vila de apenas 460 habitantes.
Segundo o relato do artista, a utilização do tamborete, móvel típico da região, o aproximou bastante da população e dos costumes do local. “O fato de ter também uma câmera comum na mão, que qualquer morador da cidade podia ter, me ajudou muito”, conta.
Bené esteve pela primeira vez em Gameleira do Assuará em 1991, enquanto fazia um trabalho de preservação no Rio São Francisco. Em 2002 voltou para passear, tirou foto com dez filmes e quando retornou a Brasília se surpreendeu com o resultado das imagens. “Em uma cidade composta de 130 famílias, onde a maioria dos nascidos na região foram embora para São Paulo, procurei retratar a ausência e a presença das pessoas”, afirma. “Por isso, algumas fotos têm o tamborete como personagem principal e em outras ele divide o espaço com os moradores”, conclui Bené.
A segunda edição do Foto Arte – maior evento de artes visuais de Brasília – trará 79 mostras à cidade, espalhadas por vários espaços culturais. Brasileiros consagrados, como Walter Carvalho e Vik Muniz, estarão expondo suas obras ao lado de artistas locais e internacionais, como o francês Jacques Henri Lartigue.
“Tivemos um crescimento de quase 100% no número de mostras em relação ao ano passado. O Foto Arte se transformou em um evento sem precedentes no Brasil”, afirma Karla Osório, organizadora do evento.
Para a edição 2004, Karla preparou dois destaques: a inclusão de bares e restaurantes como locais de exposição e os cursos de formação voltados para os artistas locais. “O público será alargado. Pessoas que não têm o hábito de freqüentar galerias de arte terão contato com as mostras pelos bares e restaurantes”, avalia Karla.
As visitas guiadas para escolas já podem ser agendadas pelo telefone 448-0361.