Da repressão da ditadura à separação depois de 30 anos de casamento. Apesar das coincidências na trajetória, Marieta Severo garante nunca ter pensado em voltar atrás e mexer no destino, como a Carolina de A Dona da História, que teve estréia nacional ontem e está em cartaz em 13 salas de cinema da cidade. No filme, adaptação da peça homônima de João Falcão, a atriz divide a protagonista com Débora Falabella, que assumiu o papel que foi de Andréa Beltrão no palco: ser o passado de Marieta.
Às vésperas de comemorar 40 anos de carreira, a atriz planeja abrir um teatro. “Vou realizar o sonho da minha vida, que é ter um espaço de trabalho. Quero ter a liberdade de montar o que quiser, na hora em que quiser, sem as obrigações do teatro comercial”, avisa, já com tudo encaminhado para estrear a Casa de Teatro, em parceria com a comadre Andréa.
Arrumar trabalho não é problema para Marieta. Aos 57 anos, avó de dois netos, a atriz jura que não teve a crise da meia-idade e não tem medo de envelhecer na profissão. “Depois de uma certa idade, existem menos papéis para uma mulher. mas sempre vai ter uma vovozinha bacana para eu fazer”, ri.
Mas, enquanto pode, ela aparece malhando na academia ou enrolada na toalha. No filme, dirigido por Daniel Filho, Carolina traça a história de uma mulher, que, aos 50 anos, começa a se perguntar como teria sido sua vida se tivesse feito outras escolhas. Ela se casou com o namorado da adolescência, vivido por Rodrigo Santoro e Antônio Fagundes. “O mundo da emoção é mais o da mulher. Não que homens não vivam intensamente os sentimentos, mas os aspectos do amor são uma preocupação maior da mulher. Para mim, inclusive”, confessa a atriz, separada do cantor Chico Buarque há sete anos.
Romântica dentro e fora de cena, Marieta – que vive a Nenê de A Grande Família – trouxe o humor da carreira para sua vida. “Não sabia que tinha essa capacidade do humor e isso foi impregnando minha vida. Isso foi tomando um espaço grande e passou a ser a maneira de me relacionar”, admite ela.
Mas uma coisa que o tempo não conseguiu convencer a atriz é de se assistir. “Não gosto de me ver em lugar nenhum. A grande vantagem do teatro é que eu não preciso me ver. Eu tenho minhas peças filmadas como registro e só”, diz Marieta, que afirma que não dá para comparar as Carolinas da peça e do filme e nem prefere uma coisa ou outra: “Eu curto o que é bom, tanto cinema quanto teatro. Teatro só é pior, porque, quando é ruim, a gente não pode sair no meio.”