A montagem da peça Intimidade Indecente era para durar apenas dois meses. Hoje, dois anos e meio depois da estréia, já foi vista por cerca de 210 mil espectadores em São Paulo, Rio de Janeiro e Lisboa. A receita do sucesso? “A instantânea identificação do público com os personagens Roberta e Mariano, interpretados por mim e Marcos Caruso, respectivamente”, pensa a atriz Irene Ravache. A comédia romântica tem texto de Leilah Assumpção, é dirigida por Regina Galdino e estréia hoje, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
“Para nós todo esse sucesso foi um presente. E a causa dele foi a propaganda boca-a-boca. Foi o público dizendo: não perca, vá assistir, é muito legal!”, analisa a atriz.
A história é em torno de um casal que tem média de idade de 50 anos e mostra os dramas vividos por eles até os 90 anos. “O que surpreende é que a identificação não ocorre apenas com o público dessa faixa etária. Os mais jovens vão, normalmente, levados pelos pais, e adoram”, conta a atriz.
Apesar de o casal vivenciar uma série de problemas, a trama é conduzida com bom humor. “Os dois personagens são pessoas alegres e bem-humoradas. Isso traz a tônica da comédia para o espetáculo”, explica Irene Ravache. Os principais temas abordados são a separação e o ciúme.
O trabalho dos atores é tão intenso que o processo de envelhecimento não usa recursos como a maquiagem. “Não saímos do palco nenhuma vez. Não trocamos de roupa nem mudamos a caracterização. O público sente o passar dos anos pela nossa interpretação, pelo amadurecimento de cada um dos personagens”, afirma a atriz.
Com um toque de Beleza Americana (filme estrelado por Kevin Spacey), a história começa quando Roberta descobre que o marido está namorando a melhor amiga da filha deles. A partir daí, o casal vive uma velhice entre idas e vindas, vinganças e prazeres. “O mais legal do espetáculo é que ele cumpre todas as funções do teatro. Faz rir, chorar e principalmente, refletir. As pessoas saem da sessão e continuam discutindo a trama depois”, completa Irene Ravache.