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Velho Mundo sem julgamentos

Arquivo Geral

03/12/2003 0h00

O escritor francês Louis-Ferdinand Céline, autor de Viagem ao Fim da Noite, nunca foi uma unanimidade no mundo da literatura, mais por suas posições polêmicas na vida pessoal – como o anti-semitismo – do que por sua obra. O carioca Dau Bastos, no entanto, aceitou o desafio de estudar e analisar a obra céliniana, sem pudor ou julgamentos de valor no livro Céline e a Ruína do Velho Mundo, tese de doutorado publicada pela Editora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Bastos analisa e compara todas as obras de Céline com autores brasileiros e franceses, numa tentativa de aproximar o leitor desse autor, considerado maldito em sua época e que ainda hoje causa constrangimentos no meio literário.

O estudante carioca tenta separar a vida e a obra do autor francês. Bastos conclui em seu trabalho que Louis-Ferdinand Céline nada mais foi do que um grande ator de sua própria obra e que até o fim de sua vida – o francês morreu aos 67 anos, em 1961, de congestão cerebral – atuou no papel de provocador, um obcecado pela catástrofe, como se desse modo pudesse comprovar a própria tese de que não há mais esperanças para a humanidade.

Céline foi um divisor de águas na literatura contemporânea, principalmente na França. Chocou a sociedade tradicional francesa ao utilizar gírias, palavrões e neologismos em seus romances. Chocou mais ainda por mostrar uma visão de mundo pessimista e sinistra. Era um desacreditado da virtude humana, mostrou em sua obra todo o potencial de crueldade, mesquinhez e ruindades humanas.

Obsessivamente, Céline tentou encarnar a violência do século 20 e a destruição do Velho Continente (daí o título Ruína do Velho Mundo) mostrando esse homem decadente e mesquinho. Era um autor raivoso, movido principalmente pelas críticas iradas, como se fosse abastecido por elas.

Depois do panfleto Bagatelles pour un Massacre, em que afirma seu anti-semitismo justamente durante a Segunda Guerra Mundial, Céline foi julgado e condenado pelos intelectuais de seu tempo ao ostracismo. Dessa forma, sua obra se tornou ainda mais provocadora, mais raivosa.

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    Arquivo Geral

    03/12/2003 0h00

    O escritor francês Louis-Ferdinand Céline, autor de Viagem ao Fim da Noite, nunca foi uma unanimidade no mundo da literatura, mais por suas posições polêmicas na vida pessoal – como o anti-semitismo – do que por sua obra. O carioca Dau Bastos, no entanto, aceitou o desafio de estudar e analisar a obra céliniana, sem pudor ou julgamentos de valor no livro Céline e a Ruína do Velho Mundo, tese de doutorado publicada pela Editora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

    Bastos analisa e compara todas as obras de Céline com autores brasileiros e franceses, numa tentativa de aproximar o leitor desse autor, considerado maldito em sua época e que ainda hoje causa constrangimentos no meio literário.

    O estudante carioca tenta separar a vida e a obra do autor francês. Bastos conclui em seu trabalho que Louis-Ferdinand Céline nada mais foi do que um grande ator de sua própria obra e que até o fim de sua vida – o francês morreu aos 67 anos, em 1961, de congestão cerebral – atuou no papel de provocador, um obcecado pela catástrofe, como se desse modo pudesse comprovar a própria tese de que não há mais esperanças para a humanidade.

    Céline foi um divisor de águas na literatura contemporânea, principalmente na França. Chocou a sociedade tradicional francesa ao utilizar gírias, palavrões e neologismos em seus romances. Chocou mais ainda por mostrar uma visão de mundo pessimista e sinistra. Era um desacreditado da virtude humana, mostrou em sua obra todo o potencial de crueldade, mesquinhez e ruindades humanas.

    Obsessivamente, Céline tentou encarnar a violência do século 20 e a destruição do Velho Continente (daí o título Ruína do Velho Mundo) mostrando esse homem decadente e mesquinho. Era um autor raivoso, movido principalmente pelas críticas iradas, como se fosse abastecido por elas.

    Depois do panfleto Bagatelles pour un Massacre, em que afirma seu anti-semitismo justamente durante a Segunda Guerra Mundial, Céline foi julgado e condenado pelos intelectuais de seu tempo ao ostracismo. Dessa forma, sua obra se tornou ainda mais provocadora, mais raivosa.

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