Esqueça aquela Flávia Alessandra cuja beleza e suavidade não eram suficientes para encobrir a falta de tempero em papéis de boa mocinha: a atriz agora vai usar essas qualidades para compor Cristina, a maior vilã de Alma Gêmea, novela das seis que estréia amanhã na Globo.
“O objetivo de Cristina é eliminar todas as pessas que estão no seu caminho”, resume Flávia, que, desde Meu Bem Querer (1998), não vivia uma personagem má.
Na trama de Walcyr Carrasco, Cristina tenta vencer um amor além da vida. Apaixonada por Rafael (Eduardo Moscovis), ela o viu se casar com sua prima, Luna (Liliana Castro). Depois da morte de Luna, Cristina passa a cuidar da casa e do filho de Rafael, na esperança de conquistá-lo, e fica enlouquecida quando ele se apaixona pela índia Serena (Priscila Fantin), que seria a reencarnação de Luna.
“Cristina é o pior tipo de mulher: se faz de boazinha para todos, mas no fundo não gosta de ninguém”, define. “A única pessoa que sabe um pouco de sua verdadeira cara é Olívia (Drica Moraes), e os encontros das duas renderão boas cenas de briga”.
Interpretar uma personagem tão pérfida exigiu preparação: “Vi todos os filmes da Bette Davis, estudei os movimentos de sobrancelha que ela poderia fazer. E como a vilã tem muito de desenho animado, também me inspirei em vilãs clássicas da Disney”.
Sumida da TV desde O Beijo do Vampiro (2002), a ex-mulher do diretor Marcos Paulo também estréia em novelas de época. “Tive de observar muito meus trejeitos. Além de ter consciência de que o linguajar que hoje pode ser inocente, na época era grave, como xingar alguém de lambisgóia ou cabeça de borboleta”, diverte-se.
Mas a maior dificuldade, segundo ela, é intercalar momentos de simpatia com outros que beiram a loucura. “Teve uma semana em que eu gravei só cenas de maldade. Fiquei tão tensa que dei um jeito no pescoço. Acho que é muita energia estranha que eu preciso colocar no papel”. Essa nova fase promete. Vale conferir o que vem por aí.