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Uma tonelada de música para dançar

Arquivo Geral

20/09/2004 0h00

Uma tonelada de equipamentos e de boas intenções. Uma tonelada de expectativa dos fãs para ver em vídeo o maracatu que pesa uma tonelada. Massa sonora e talento estão reunidos digitalmente em Propagando, o primeiro DVD e documento de uma apresentação ao vivo do Nação Zumbi, uma das bandas mais cultuadas e incensadas do cenário musical brasileiro, que chega às locadoras e lojas especializadas.

O lançamento do DVD é um grande acontecimento para quem gosta de boa música. Há dez anos no mercado, a banda recifense – que nos anos 90 ajudou Chico Science a criar o movimento mangue beat, a mais inventiva construção musical do País depois da Tropicália, de Gil e Caetano – estava devendo um registro em vídeo de suas explosivas apresentações em palco.

A grande expectativa do público da banda era se a mistura de rock, hip hop, dub, maracatu do grupo se adequaria, com a mesma intensidade do que se vê no palco, à linguagem do DVD. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o baterista Pupillo diz que a banda buscou repetir na gravação a energia natural do Nação: “Entramos relax no palco, sem nenhuma forçação de barra. Não paramos nenhuma vez para repetir uma música, como acontece em gravações desse tipo. Foi tudo de primeira e nos orgulhamos muito disso”.

MaturaçãoO processo de maturação do DVD foi lento e gradual. A banda não teve pressa de presentear os fãs com esse trabalho. “A gente fez o vídeo com calma e com alma, para não atrapalhar nossa turnê. Além do mais, gostamos de participar na concepção do trabalho e isso exige tempo e cuidado”, explica o músico.

A turma de Peixinhos (bairro de Recife) acompanhou toda a criação do DVD, da concepção à criação gráfica, passando até mesmo por pitacos na área técnica, como sugestão de texturas das imagens. Tudo para que o produto não ficasse “com cara de Multishow”, com disse Pupillo se referindo ao canal de TV a cabo especializado em shows. “Somos assim mesmo. Nossos discos também são criações coletivas”, argumenta.

O Nação Zumbi é assim, uma banda que se preocupa em fazer imagens e sons diferentes. E não por uma questão de pedância ou para conquistar o mundo. E olhe que o grupo já foi citado pela revista americana Times como uma das grandes promessas da cena musical mundial. “Nós não temos pretensão alguma. Não nos preocupamos com rótulos. Propomos uma parada, e estamos seguindo o caminho da gente. Só isso”, garante o baterista do grupo.

Esse caminho, segundo Pupillo, é o da dignidade: “Acredito que ajudamos a resgatar certas coisas que estavam esquecidas, que fazem parte da dignidade do País. Não é só o resgate de um gênero musical é o resgate de toda uma história. Uma história para trás e para frente”.

O resgate de que fala Pupillo é o de ritmos que estavam restritos a eventos folclóricos e a uma região do Brasil, como a embolada e o maracatu. Estes sons predominante percursivos misturam-se a referências internacionais, como o rap e o dub jamaicano.

O destemor de fazer essa miscigenação de sons, aliás, é o que garante o impacto do grupo fora do Brasil. Na miniturnê que fizeram o ano passado em quatro cidades da Europa (Marselha, Paris, Londres e Madri), a platéia dos festivais independentes, formada na grande maioria por cidadãos daqueles países, segundo Pupillo, enlouquecia: “Eles entendem mais algumas referências de nossa música do que a galera do Brasil, como é o caso do dub e da música africana, influenciados por Fela Kuti e Lee Perry, por exemplo. Ao mesmo tempo em que ficam curiosos para entender as referências brasileiras, como o maracatu”.

CaldeirãoEsse caldeirão de ritmos e influências marcaram a carreira do Nação Zumbi, cuja discografia é composta por quatro trabalhos, resgatada um pouco, ainda que de forma desordenada, no DVD Propagando, que privilegia o repertório do CD lançado em 2003.

A banda, que tocará em Brasília no dia 9 de outubro na tradicional festa Fantasy, já pensa no quinto CD, (“estamos dando uma forjada no disco que deve ser gravado em março do ano que vem”, disse Pupillo), mas por enquanto os planos atuais são de dar um gás no lançamento do DVD.

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    O lançamento do DVD é um grande acontecimento para quem gosta de boa música. Há dez anos no mercado, a banda recifense – que nos anos 90 ajudou Chico Science a criar o movimento mangue beat, a mais inventiva construção musical do País depois da Tropicália, de Gil e Caetano – estava devendo um registro em vídeo de suas explosivas apresentações em palco.

    A grande expectativa do público da banda era se a mistura de rock, hip hop, dub, maracatu do grupo se adequaria, com a mesma intensidade do que se vê no palco, à linguagem do DVD. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o baterista Pupillo diz que a banda buscou repetir na gravação a energia natural do Nação: “Entramos relax no palco, sem nenhuma forçação de barra. Não paramos nenhuma vez para repetir uma música, como acontece em gravações desse tipo. Foi tudo de primeira e nos orgulhamos muito disso”.

    MaturaçãoO processo de maturação do DVD foi lento e gradual. A banda não teve pressa de presentear os fãs com esse trabalho. “A gente fez o vídeo com calma e com alma, para não atrapalhar nossa turnê. Além do mais, gostamos de participar na concepção do trabalho e isso exige tempo e cuidado”, explica o músico.

    A turma de Peixinhos (bairro de Recife) acompanhou toda a criação do DVD, da concepção à criação gráfica, passando até mesmo por pitacos na área técnica, como sugestão de texturas das imagens. Tudo para que o produto não ficasse “com cara de Multishow”, com disse Pupillo se referindo ao canal de TV a cabo especializado em shows. “Somos assim mesmo. Nossos discos também são criações coletivas”, argumenta.

    O Nação Zumbi é assim, uma banda que se preocupa em fazer imagens e sons diferentes. E não por uma questão de pedância ou para conquistar o mundo. E olhe que o grupo já foi citado pela revista americana Times como uma das grandes promessas da cena musical mundial. “Nós não temos pretensão alguma. Não nos preocupamos com rótulos. Propomos uma parada, e estamos seguindo o caminho da gente. Só isso”, garante o baterista do grupo.

    Esse caminho, segundo Pupillo, é o da dignidade: “Acredito que ajudamos a resgatar certas coisas que estavam esquecidas, que fazem parte da dignidade do País. Não é só o resgate de um gênero musical é o resgate de toda uma história. Uma história para trás e para frente”.

    O resgate de que fala Pupillo é o de ritmos que estavam restritos a eventos folclóricos e a uma região do Brasil, como a embolada e o maracatu. Estes sons predominante percursivos misturam-se a referências internacionais, como o rap e o dub jamaicano.

    O destemor de fazer essa miscigenação de sons, aliás, é o que garante o impacto do grupo fora do Brasil. Na miniturnê que fizeram o ano passado em quatro cidades da Europa (Marselha, Paris, Londres e Madri), a platéia dos festivais independentes, formada na grande maioria por cidadãos daqueles países, segundo Pupillo, enlouquecia: “Eles entendem mais algumas referências de nossa música do que a galera do Brasil, como é o caso do dub e da música africana, influenciados por Fela Kuti e Lee Perry, por exemplo. Ao mesmo tempo em que ficam curiosos para entender as referências brasileiras, como o maracatu”.

    CaldeirãoEsse caldeirão de ritmos e influências marcaram a carreira do Nação Zumbi, cuja discografia é composta por quatro trabalhos, resgatada um pouco, ainda que de forma desordenada, no DVD Propagando, que privilegia o repertório do CD lançado em 2003.

    A banda, que tocará em Brasília no dia 9 de outubro na tradicional festa Fantasy, já pensa no quinto CD, (“estamos dando uma forjada no disco que deve ser gravado em março do ano que vem”, disse Pupillo), mas por enquanto os planos atuais são de dar um gás no lançamento do DVD.

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