Bia Falcão (Fernanda Montenegro) vive desprezando a neta, Júlia (Glória Pires), e foi capaz de ir à Grécia só para tentar acabar com o casamento do neto, Pedro (Henri Castelli). A avó não terá o menor peso na consciência ao procurar azedar o romance que Júlia começa a ter com o operário André (Marcello Antony).
Tais maldades e outras que ainda virão fazem da personagem de Fernanda em Belíssima uma espécie de reencarnação de Odete Roitman, personagem antológica de Beatriz Segall em Vale Tudo.
Fernanda, porém, tenta humanizar Bia: “Ela não é uma criatura má, patológica, é motivada por uma vida dura, na qual sobreviveu. Perdeu uma filha que criou a fábrica, luta para que a neta seja mais racional, temendo que a empresa afunde. É por isso que, para ela, os fins justificam os meios”, esclarece a atriz.
NervosismoA trama de Sílvio de Abreu foi motivo suficiente para deixar de lado a decisão de não fazer mais novelas: “Está certo que fazer uma novela inteira é complicado para mim, são muitos meses, quase um ano. Além de ser um trabalho cada dia mais exigente, mais inteiro, você não pode nem olhar para o lado. Mas não digo não a Sílvio de Abreu nem a Gilberto Braga”, justifica Fernanda, elogiando os autores de Belíssima e Vale Tudo.
Apesar de décadas de carreira, Fernanda surpreende ao confessar que ainda sente um certo nervosismo a cada novo trabalho. “Ainda dá um frio na barriga. É um investimento grande, um esforço de toda uma equipe, um jogo violento de estar à disposição da opinião pública. Não estou sozinha nisso”, analisa.
Sobre o tema discutido na trama, o valor dado à beleza, Fernanda é diplomática. “O poeta diz que um pouco de beleza é uma alegria eterna. Acho, no entanto, que há uma industrialização na solicitação de gente bela. Às vezes, vão pela beleza e descobrem talento. Outras vezes, descobre-se mais beleza do que talento”, diz a atriz.
O curioso é que, na trama, Bia Falcão dá muito valor à beleza e vive jogando na cara da neta o quão diferente ela é da mãe, Stella, símbolo da beleza suprema, morta num acidente de avião.
“Ela acha que Júlia tem uma incapacidade orgânica de gerir os negócios, por não ser tão racional e bela como a mãe”, diz Fernanda. Com isso, ela vai querer fazer das bisnetas Érika (Letícia Birkheuer) e Sabina (Marina Ruy Barbosa) os símbolos maiores da grife Belíssima.