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Uma montagem contra a exclusão social

Arquivo Geral

27/10/2005 0h00

Um grande sucesso do teatro brasileiro está de volta à cidade. Com músicas de Milton Nascimento e texto de Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga, o espetáculo Missa dos Quilombos é encenado por 20 atores e sete músicos e aborda a exclusão social na sociedade moderna. As apresentações serão de hoje a domingo, na Sala Plínio Marcos da Funarte.

A peça segue a estrutura-padrão de uma missa, e inclui, entre outras etapas, o rito penitencial, o ofertório, o rito da paz e uma ladainha. As onze músicas de Milton misturam canções e trechos recitados com um vocabulário cristão que se alia a expressões africanas, numa fusão de sons, danças e cores.

O cenário reproduz uma usina de produção com 43 máquinas industriais, que vão desde um singelo moinho até uma turbina de avião. Com produção de Cláudio Moura, as máquinas, de várias usinas diferentes e são manuseadas pelo elenco durante o espetáculo, pois refletem momentos diferentes da era industrial. Todos os sons e barulhos das máquinas foram incorporados à partitura musical, criando uma completa harmonia com a música e a percussão.

Missa dos Quilombos tem direção musical de Túlio Mourão e de percussão de Robertinho Silva, e direção geral de Luiz Fernando Lobo, que prioriza a exclusão social. Entre as novidades da montagem, um texto do padre Ricardo Rezende, da linha progressista da Igreja Católica, e outro de Herbert de Souza, o Betinho, que aponta o fato de uma criança colher até uma tonelada de cana por dia no Brasil, fazem parte da peça, assim como a Carta das Mães Sem-Terra. O objetivo é mostrar que, ainda hoje, existe trabalho escravo no Brasil, como o das crianças que trabalham em colheitas enquanto deveriam estar estudando.

A companhia Ensaio Aberto foi fundada no segundo semestre de 1992, no Rio de Janeiro, e estreou em janeiro do ano seguinte com a peça Cemitério dos Vivos, baseado em Lima Barreto. Desde então, assumiu a posição de tratar em seus espetáculos dos excluídos. Em 1996, com A Mãe, de Brecht, assumiu-se como marxista; em 1999, com Companheiros, apresentou-se como militante; em 2001, pôs bandeiras do Movimento dos Sem-Terra no palco de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Agora, fala dos negros.

serviço

Missa dos Quilombos – De hoje a sábado, às 21h, e domingo, às 20h, na Sala Plínio Marcos (Complexo Cultural da Funarte). Ingressos a

R$ 20 (inteira).

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    27/10/2005 0h00

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    A peça segue a estrutura-padrão de uma missa, e inclui, entre outras etapas, o rito penitencial, o ofertório, o rito da paz e uma ladainha. As onze músicas de Milton misturam canções e trechos recitados com um vocabulário cristão que se alia a expressões africanas, numa fusão de sons, danças e cores.

    O cenário reproduz uma usina de produção com 43 máquinas industriais, que vão desde um singelo moinho até uma turbina de avião. Com produção de Cláudio Moura, as máquinas, de várias usinas diferentes e são manuseadas pelo elenco durante o espetáculo, pois refletem momentos diferentes da era industrial. Todos os sons e barulhos das máquinas foram incorporados à partitura musical, criando uma completa harmonia com a música e a percussão.

    Missa dos Quilombos tem direção musical de Túlio Mourão e de percussão de Robertinho Silva, e direção geral de Luiz Fernando Lobo, que prioriza a exclusão social. Entre as novidades da montagem, um texto do padre Ricardo Rezende, da linha progressista da Igreja Católica, e outro de Herbert de Souza, o Betinho, que aponta o fato de uma criança colher até uma tonelada de cana por dia no Brasil, fazem parte da peça, assim como a Carta das Mães Sem-Terra. O objetivo é mostrar que, ainda hoje, existe trabalho escravo no Brasil, como o das crianças que trabalham em colheitas enquanto deveriam estar estudando.

    A companhia Ensaio Aberto foi fundada no segundo semestre de 1992, no Rio de Janeiro, e estreou em janeiro do ano seguinte com a peça Cemitério dos Vivos, baseado em Lima Barreto. Desde então, assumiu a posição de tratar em seus espetáculos dos excluídos. Em 1996, com A Mãe, de Brecht, assumiu-se como marxista; em 1999, com Companheiros, apresentou-se como militante; em 2001, pôs bandeiras do Movimento dos Sem-Terra no palco de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Agora, fala dos negros.

    serviço

    Missa dos Quilombos – De hoje a sábado, às 21h, e domingo, às 20h, na Sala Plínio Marcos (Complexo Cultural da Funarte). Ingressos a

    R$ 20 (inteira).

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