A Bahia de todos os santos, como disse o compositor Dorival Caymmi, tem uma magia que nenhum outra terra tem. Mais do que um sofisma, esta é uma afirmação que pode ser sentida na pele por quem vai conhecer a bela Salvador. Mas, de onde vem aquele calor humano e costumeiro bom humor que faz do baiano um brasileiro diferente e tão marcante?
Para entender um pouco mais dessa baianidade existe algumas ótimas pistas em Uma História da Cidade da Bahia (Versal Editores , 624 páginas, R$ 49), livro do historiador e antropólogo baiano, Antônio Risério, que será lançado hoje, à partir das 19h, no restaurante Carpe Diem (SCLS 104 – Bloco D).
Risério, parceiro musical de Caetano, é um conhecedor profundo da cultural baiana. Dentre os livros teóricos que escreveu, estão Carnaval Ijexá – Notas sobre os Blocos Afoxé do Carnaval Afrobaiano, Avant-garde na Bahia e O Poético e o Político (em parceria com Gilberto Gil). Por isso, ao escrever sobre sua Salvador, mais do que nunca ele se sentiu em casa.
Salvador E é essa casa que ele quer dividir com todos, sem pretensões de ser definitivo ou canônico. Em Uma História da Cidade da Bahia, Risério é como um faxineiro, que coloca os móveis em ordem para que o visitante possa entender melhor a arquitetura e os espaços da casa.
No prólogo desse belo levantamente histórico, o antropólogo deixa bem claro: “O que há de se ler, nas páginas seguintes, não é de modo algum a história de Salvador. Mas uma, entre outras possíveis”. Risério quer dividir o estudo dele da cidade, sem querer oferecer uma obra acabada, mas informações para “aqueles que desconhecem, mas desejam conhecer” a cidade de todos os santos, como bem deixou sublinhado.
SeletivoHumilde e sincero, Antônio Risério afirma que sua obra é “esquemática, sujeita a correções”. Isto porque, ele tentou expor cinco ricos séculos em cinco capítulos, em 595 páginas. “Tive, por isso mesmo, de ser sintético. E o que é, pior, seletivo. Draticamente seletivo”, lamenta o autor.
O históriador começa sua viagem no século 16, mesmo antes de os portugueses terem colocado pela primeira vez os pés na Bahia. Risério mergulha no mundo dos indígenas ancestrais, os aratus, que deixaram sambaquis (colunas de ostras, que era os restos das alimentações de velhas nações), que foram usados como cal para as construções lusitanas.
Os registros de nações subseqüentes, como as dos Tupinambás, invasores das terras baianas antes dos portugueses, são seguidos pela colonização portuguesa, que tentou inutilmente transformar Salvador numa nova Lisboa, até o século 20, quando a cidade se industrializou, “explodindo para todos os lados”.
Mestiça Cinco século, cinco capítulos. Na trajetória do livro, a Salvador barroca; a que resistiu bravamente aos modismos e costumes dos estrangeiros; a terra mestiça e a sincrética; a que reúne a cultura índia, negra e branca com natural inteligência; a forjada pelo suor negro; a ilha da fantasia e a cidade maníaca, que nega a violência e a miséria se vestindo de uma alegria compulsiva. Tudo isso arquitetando uma identidade local e a reconhecida baianidade, que está exposta no livro de Risério com simplicidade e habilidade.
O autor tem razão. Uma História da Cidade da Bahia é uma obra generosa e capital para quem quer entender um pouco mais a complexa Salvador. Falar nisso, você já foi à Bahia?
Serviço
Uma História da Cidade da Bahia – Livro do historiador e antropólogo baiano, Antônio Risério (Versal Editores , 624 páginas, R$ 49). Hoje, à partir das 19h, no restaurante Carpe Diem (SCLS 104, bloco D).