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Uma história de amor com o Rio que começou em 1723

Arquivo Geral

03/02/2006 0h00

Toda cidade brasileira tem o seu Carnaval. Em algumas, a festa é mais modesta. Em outras, empolga e arrasta multidões. Mas poucas se comparam ao Rio de Janeiro. Ali a alegria se mistura a protestos bem-humorados, feitos por simples foliões simples ou pelas grandiosas escolas de samba.
O berço do Carnaval carioca é as ilhas portuguesas da Madeira, Açores e Cabo Verde. Em 1723, quatro décadas antes de o Rio de Janeiro tornar-se capital do País, com o desembarcaram por aqui dos primeiros habitantes destas localidades, que situaram-se entre o Espírito Santo e Porto Alegre, como relata o pesquisador Hiram Araújo em seu livro Carnaval – Seis Mil Anos de História. Eles introduziram na nova terra o entrudo, que consistia jogar água (muitas vezes misturada a substâncias menos nobres como barro e assemelhados) nos outros foliões.
Em 1852 o Carnaval ganhou uma força decisiva, graças ao surgimento de uma figura mítica, o Zé Pereira – conjunto com bumbos e tambores liderado pelo sapateiro José Nogueira de Azevedo Paredes, que animava os foliões. Foi o nascedouro da bateria, pois agregaria, depois, instrumentos feitos nas favelas, como cuícas, tamborins, e pandeiros.
O Carnaval também seduzia a elite e a partir de 1855 surgiram as Grandes Sociedades, clubes carnavalescos que juntavam folia com movimentos cívicos. Estas agremiações trouxeram para o Carnaval carioca os mascarados e fantasiados. Com o tempo, as grandes sociedades foram perdendo a importância, pois nasceria o ponto alto do carnaval carioca, as escolas de samba.
Foram os cordões de foliões e os blocos carnavalescos antigos que deram origem às escolas. E elas nasceram modestas, mas com uma contribuição cultural inestimável. O primeiro desfile de escolas de samba, ainda extra-oficial, ocorreu em 1932. Um enredo dos imortais Cartola e Carlos Cachaça deu o título à Mangueira, batendo a rival Portela, que se chamava Vai Como Pode. O troco veio em 1935, na Praça Onze, quando a ainda Vai Como Pode levou o título do primeiro desfile oficial.
Mas nem Mangueira, nem Portela foram a primeira escola de samba a surgir. Esta primazia é da Deixa Falar, fundada em 1928, que se tornou depois a Acadêmicos de São Carlos e hoje é a Estácio de Sá.
Poucos, porém, podiam imaginar que a festa, que começou gratuita e só teve ingressos cobrados a partir de 1963, ainda na Avenida Presidente Vargas, chegaria ao megaespetáculo de hoje. Para isso foram decisivos dois fatos: a inauguração, em 1984, da Passarela Professor Darcy Ribeiro, o popular Sambódromo, erguido na Avenida Marquês de Sapucaí, e o desfile passar, em 1992, a ser comandado pela Liga Independente das Escolas de Samba.

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