Coisa de Mulher, a primeira produção do novo braço da emissora de Silvio Santos, SBT Filmes, chega aos cinemas do País hoje, com uma proposta que tenta se definir entre o besteirol e a reflexão cômica sobre as diferentes formas de expressão do desejo sexual feminino. No meio desta ponte, que enquadra um elenco encabeçado por Evandro Mesquita, Adriane Galisteu e a trupe da companhia humorística O Grelo Falante, sobra artificialidade, clichês e trocadilhos óbvios.
O roteiro (desenvolvido pela diretora do filme, atriz Eliana Fonseca, com colaboração do Grelo Falante: Carmen Frenzel, Claudia Ventura,Lucília de Assis e Suzana Abranches) não ajuda muito. O resultado é uma comédia rasa, com raros momentos de graça, protagonizados, na totalidade, pelo personagem de Evandro Mesquita, Murilo.
Fora o aspecto sexista ao extremo – cujo tratamento beira o machismo ao tratar de temas como menstruação, TPM e masturbação – a trama mira na vida ordinária de um homem de meia-idade, Murilo, que trabalha numa revista feminina sob o pseudônimo de Cassandra, uma colunista que “entende as mulheres”. Numa crise de criatividade, ele se muda para o prédio onde quatro amigas convivem e passa a registrar tudo o que elas falam sobre homens, casamento e sexo.
Neste ponto, Coisa de Mulher se aproxima da comédia hollywoodiana Do Que As Mulheres Gostam, na qual Mel Gibson é um publicitário que passa a ouvir o pensamento do sexo oposto. É mais ou menos a mesma coisa, com um índice menor de inversossimilhança. A previsibilidade do enredo é desculpável e não é o que há de pior na película. As piadas não funcionam e as interpretações são forçadas.
O humor escrachado das meninas do Grelo teve vida longa em livros de anedotas e na TV (Garotas do Programa). Na telona, o efeito não funciona. Evandro Mesquita salva uma cena aqui e acolá com sua natural irreverência e seu carisma. Porém, sua atuação é costurada com o pouco impacto de Adriane Galisteu (como a cabeleireira Mayara) e péssimos coadjuvantes, como se tirados do elenco de apoio da Praça é Nossa.