Falta de verba nunca foi um problema para o cineasta-bombeiro do Gama, Afonso Brazza. Conseguiu reunir um portifólio cinematográfico invejável, com realização de oito filmes em somente duas décadas atrás das câmeras. Um currículo esteticamente questionável pelo amadorismo dos atores e produção precária. Seu cinema-trash adentrou os átrios da originalidade ainda antes do fatídico dia 29 de julho, quando alcançou seu nirvana e caiu nas graças do público com seu penúltimo filme Tortura Selvagem – A Grade, lançado em circuito nacional. Comparado muitas vezes ao cineasta Ed Wood (retentor do título de pior do mundo), Brazza buscou sua inspiração nos últimos anos da década de 70 no reduto paulista do cinema de baixo orçamento da Boca do Lixo. Lá conheceu a musa Claudete Joubert, que viria a ser sua esposa e mocinha de todas suas produções. Em 2001 começou as filmagens de Fuga Sem Destino. O filme ficou sem finalização com sua morte, mas foi terminado para a edição deste ano do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na sua derradeira obra, Brazza novamente protagoniza uma ação policial com divertidas seqüências de tiroteio. “Matei tanta gente no filme que nem me lembro”, disse em entrevista ao Jornal de Brasília no início do ano. A trama narra a história de um fora-da-lei que consegue fugir da Papuda apenas 15 dias após ser preso. O cineasta-bombeiro deixou um legado de oito filmes – entre eles Inferno no Gama (1991), No Eixo da Morte (1995) e seu mais famoso Tortura Selvagem – A Grade. Ficou ainda da ativa carreira de Brazza um roteiro pronto do que seria seu nono longa-metragem, intitulado Candango Jango.