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Uma brisa refrescante que vem do Rio

Arquivo Geral

03/01/2010 0h00

A carioca Scracho é uma banda querida do público adolescente que pode ou na fazer uma carreira interessante e próspera. Isso vai depender das escolhas que o quarteto Diego Miranda, Débora Teicher, Gabriel Leal e Caio Corrêa fizer ao longo do tempo. O que o futuro reserva, não se sabe, mas, no presente, a Scracho aponta algumas direções interessantes no disco MTV Apresenta Schacho, lançado pela EMI.

A banda surgiu em meados da década passada quando a indústria da música conhecia o auge de sua crise econômica e de identidade. Com os espaços fechados, o quarteto usou a internet (o Myspace) e métodos de marketing de guerrilha, no caso o boca a boca – o mais simples deles -, feito por amigos e novos fãs para fazer a sua música chegar ao maior número de pessoas.


“Também procuramos pessoas que pudessem ter interesse na nossa música e assim poder fechar datas para tocar no Rio e em São Paulo. Muitos curtiram o som”, diz Diego, vocalista e guitarrista do quarteto. Não é que este tipo de divulgação do trabalho difere-se dos outros. Ao contrário, ele tornou-se comum a partir de 2005 e foi por meio de estratégias do tipo que Mallu
Magalhães e a Hevo 64 fizeram fama.

O som da Scracho tem elementos do emo, ou seja, outro ponto comum entre tantos grupos que fazem a cabeça da garotada. As guitarras são aceleradas, o estilo do vocal de Diego – entonações das sílabas, ritmo e alguns berros – também puxa para tal impressão, mas existe  inga, melodia, reggae, algumas referências do jazz e metais. “Apesar de ainda estarmos desenvolvendo nosso estilo musical, somos, acima de tudo, uma banda de pop rock”, defende Diego, “ninguém aqui é um instrumentista virtuoso. Mas gostamos de experimentar usando todas as possibilidades tecnológicas que estão ao nosso alcance. Isso faz com que o nosso som não fique quadrado e assim podemos tentar fazer uma música nova”.

Entre as várias turmas em que se divide a cena musical carioca, não é difícil presumir que a Scracho dialoga com a ForFun – outro quarteto carioca que ficou conhecido pelo hit “História de Verão”. Aliás, as duas bandas são vizinhas de porta. “A gente conhece o pessoal do Autoramas e de várias outras bandas, mas a gente se dá bem mesmo é com a For Fun. Questão de afinidade e a convivência com a galera da ForFun é diária”, explicou Diego.

Mas a vizinhança de porta não se refere a uma residência comum. “Na verdade, nós alugamos uma casinha e montamos um estúdio nela. Coisa humilde, mas o suficiente para gravar nossas demos, poder criar e também ter um lugar de trabalho para poder falar com os nossos fãs”. A produção na casa está a todo vapor. Diego informa ainda que a Scracho está com músicas novas no gatilho, esperando só o momento apropriado para serem lançadas.

No mais, Diego está curtindo a parceria bem estabelecida com a gravadora EMI e ainda deixou uma observação sobre o público brasiliense. “Tocamos aí no ano passado junco com a galera da Natiroots e foi um dos melhores shows que fizemos, com um clima muito bom. Foi um momento super legal da nossa carreira”.

Crítica

MTV Apresenta – Scracho. EMI. 14 faixas.

Há indicativos que o emo perde força com o virar da década. A Scracho é uma das bandas que disvurtuam o estilo e contribuem para tal derrocata. Ainda bem que essa garotada teve tal percepção. De todas as bandas jovens que aí estão no mercado (a maioria emos), a Scracho aponta neste disco que existe um sopro refrescante de pessoas que, sim, utilizam certas características daquilo que começou a virar “rock romântico”, mas estão dispostas a procurar o novo. O resultado é um bom disco, com soluções interessantes, ainda que seja imaturo. Faz mal não. É sinal de que há espaço de sobra para a Scracho crescer. (D.A)

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