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Um quarto escuro e uma história fraca

Arquivo Geral

25/11/2005 0h00

Alguns fatores fariam de Incuráveis – longa que abriu, na noite de quarta-feira, a mostra competitiva da categoria no 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – um grande filme. O trabalho com pouca luz, o dinamismo dos protagonistas (Dira Paes e Fernando Eiras, sustentáculos de uma história vaga) e o conflito que norteia os personagens merecem a total atenção do espectador. Mérito de Gustavo Acioli, diretor carioca de boa bagagem anterior em curtas (O Cão Guia e Nada a Declarar).

Os diálogos começam. Uma prostituta oferece um programa, um homem diz querer ser ouvido. Não se sabe exatamente quem são os personagens (eles não dizem nomes), de onde vieram ou o que fazem exatamente. Há sempre uma névoa de dúvida sobre o teto do quarto escuro, onde se passa a trama. Não fica claro, no início, se é algo tirado das páginas de Nelson Rodrigues ou se passa num palco de teatro – de onde o filme foi adaptado. Há uma certa dose de inverossimilhança que atrai os olhos do espectador para a relação às vezes incômoda entre um homem (Eiras) e uma mulher (Dira).

Lá pela segunda meia-hora, o homem já teria sugerido que aquela era a última noite e a prostituta já tinha arrancado seus primeiros tostões com uma transa rápida e forçada. O enredo dá voltas, o diálogo se torna repetitivo – propositalmente, em algumas ocasiões – e não se aprofunda. O texto sugere reviravoltas, mas a surpresa não é mais atraente. A idéia original é interessante, mas não funciona. Pelo menos num filme de longa duração.

Acioli alcançou maturidade suficiente para deixar o terreno fértil do curta, mas poderia ter esperado um pouco mais para contar uma história melhor, que merecesse um longa-metragem.

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    Um quarto escuro e uma história fraca

    Arquivo Geral

    25/11/2005 0h00

    Alguns fatores fariam de Incuráveis – longa que abriu, na noite de quarta-feira, a mostra competitiva da categoria no 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – um grande filme. O trabalho com pouca luz, o dinamismo dos protagonistas (Dira Paes e Fernando Eiras, sustentáculos de uma história vaga) e o conflito que norteia os personagens merecem a total atenção do espectador. Mérito de Gustavo Acioli, diretor carioca de boa bagagem anterior em curtas (O Cão Guia e Nada a Declarar).

    Os diálogos começam. Uma prostituta oferece um programa, um homem diz querer ser ouvido. Não se sabe exatamente quem são os personagens (eles não dizem nomes), de onde vieram ou o que fazem exatamente. Há sempre uma névoa de dúvida sobre o teto do quarto escuro, onde se passa a trama. Não fica claro, no início, se é algo tirado das páginas de Nelson Rodrigues ou se passa num palco de teatro – de onde o filme foi adaptado. Há uma certa dose de inverossimilhança que atrai os olhos do espectador para a relação às vezes incômoda entre um homem (Eiras) e uma mulher (Dira).

    Lá pela segunda meia-hora, o homem já teria sugerido que aquela era a última noite e a prostituta já tinha arrancado seus primeiros tostões com uma transa rápida e forçada. O enredo dá voltas, o diálogo se torna repetitivo – propositalmente, em algumas ocasiões – e não se aprofunda. O texto sugere reviravoltas, mas a surpresa não é mais atraente. A idéia original é interessante, mas não funciona. Pelo menos num filme de longa duração.

    Acioli alcançou maturidade suficiente para deixar o terreno fértil do curta, mas poderia ter esperado um pouco mais para contar uma história melhor, que merecesse um longa-metragem.

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