Quantidade e qualidade são palavras com significados completamente distintos, mas não deixa de ser interessante ver as grandes redes dispensar ao bom jornalismo a atenção que ele realmente merece. Nos tempos de agora, no meio TV, é condição sine qua non: toda emissora que se preza tem de ter um bom informativo. Na segunda-feira, em meio a uma expectativa interessante, tivemos a estréia do novo Jornal da Record. Entrou no embalo da novela, praticamente colando a personagem de Lavínia Vlasak com o apresentador Celso Freitas. Demorou um pouco, mas deu pra entender que o jornal estava no ar, com a sua escalada. E uma “exclusiva”: detalhes, com escuta telefônica da compra de um carro pelo ex-prefeito Paulo Maluf. Algo que chamou a atenção do público e proporcionou picos de 24 pontos. Acontece que a tal reportagem não era uma coisa nova e não tinha nada de “exclusiva”. O SBT Brasil, em matéria do repórter Fábio Diamante, levou ao ar o mesmo assunto na edição de 28 de setembro do ano passado, com a seguinte “cabeça” apresentada por Ana Paula Padrão: “Paulo Maluf, depois de um dia no hospital, já está de volta à cadeia/ E os promotores continuam investigando o patrimônio dele que, mesmo bloqueado pela Justiça – aparentemente – não pára de crescer! / E sabe com o quê?/ Com a compra de carros de luxo…/”. O telejornal do SBT ainda colocou no ar trechos da conversa grampeada, com passagem do repórter: “no mesmo dia o ex-prefeito fala com um homem não identificado para tentar emplacar o veículo no Paraná./” E acrescentou: “Para fugir do bloqueio determinado pela Justiça, o ex-prefeito colocou bens em nome de laranjas”. Logo se conclui, e contra fatos não há argumentos, que o Jornal da Record estreou com uma matéria requentada e tentou passar como novo um assunto que já era conhecido.