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Última edição de Cannes reflete mundo mergulhado no caos

Arquivo Geral

29/05/2006 0h00

Se o cinema é um espelho do mundo, os filmes exibidos no Festival de Cannes deste ano indicam que o mundo se encontra em situação difícil. Guerra, estupros, sequestros, tortura, preconceitos, deterioração ambiental e ditaduras estiveram presentes durante os 12 dias da competição, que terminou no domingo com o diretor britânico Ken Loach recebendo a Palma de Ouro por seu drama sobre a guerra da Irlanda.

Embora The Wind That Shakes the Barley não seja um trabalho polêmico ao estilo de Fahrenheit 11 de Setembro, com o qual Michael Moore foi o grande vencedor de Cannes em 2004, Loach traça paralelos entre a luta irlandesa contra o domínio britânico em 1920 e os acontecimentos de hoje no Iraque.

O segundo prêmio mais importante do festival foi dado a Flandres, outro filme sobre guerra. Embora o diretor francês Bruno Dumont tenha dito que não quis transmitir nenhuma mensagem declarada, o retrato de soldados combatendo forças de língua árabe em terreno desértico fez com que as comparações com o Iraque fossem inevitáveis.

O ator norte-americano George Clooney comparou esses filmes sobre temas polêmicos ao cinema político dos anos 1960 e 1970, e Loach, cineasta de esquerda que critica a invasão do Iraque em 2003, saudou o movimento.

"As guerras às quais assistimos, as ocupações – as pessoas não podem ignorar tudo isso", disse ele a jornalistas no domingo. "O fato de isso se refletir na telona é muito importante para a saúde do cinema. É muito instigante poder tratar disso no cinema e fazer filmes que não sejam apenas complemento para pipoca".

Outros filmes de Cannes 2006 a tocar em questões delicadas foram Summer Palace, do diretor chinês Lou Ye, cujo pano de fundo foram os protestos da Praça Tienanmen em 1989. Babel, que valeu ao mexicano Alejandro Gonz ález Iñarritu o prêmio de melhor diretor, explora como os mundos ocidental e árabe muitas vezes se apressam para chegar a conclusões equivocadas um sobre o outro, devido ao clima de desconfiança reinante desde 11 de setembro de 2001.

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