Esqueça as dicas e conselhos de Glória Kalil, Constanza Pascolato e Vera Loyola. Não há no mercado obra mais indicada para Darlene (Deborah Secco) e Jaqueline (Juliana Paes) – mocinhas em busca da fama na novela das nove, Celebridade –, e de outros que sonham em ser (re) conhecidos mundo afora do que o livro O Anônimo Célebre, de Ignácio de Loyola Brandão (Global Editora).
Em 380 páginas forradas por dezenas de textos curtos o autor da obra finalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira critica aqueles que em tempos de reality shows, festas-poder, lançamentos de produtos culturais e eventos mil sonham em virar alvo de flashes. Para isso, fazem de tudo para aparecer.
Tais figuras agem, portanto, como as doidivanas do horário nobre, que colocam os seios à mostra, correm atrás de qualquer fotógrafo e “forçam a amizade” com qualquer um que possa ajudá-las na empreitada. Que tal, então, os fãs de Darlene e Jaqueline comprarem o livro do autor de Não Verás País Nenhum? Ali, enquanto acompanham os romances do protagonista – que não tem outro objetivo na vida além de ser famoso – eles aprendem dicas fundamentais para quem não quer morrer como anônimo, sem celebridades no velório.
Falar palavras que choquem jornalistas; ir a lugares públicos com roupas descombinadas, criando estilo (?) próprio; circular em points da moda, mesmo sem dinheiro para tanto; contar as aventuras do último verão (não vale cidade brasileira); provocar escândalos; e criar ou usar expressões que causem impacto, tipo “então”, “atitude”, “viés”, “inclusão” e sinergia, entre outras.
O Anônimo Célebre é, pois, uma aula representativa do que de mais fútil existe na sociedade contemporânea nesses tempos em que, como diz uma velha propaganda de refrigerante, “imagem é tudo”. A verdade, porém, é que cada vez mais cidadãos comuns sonham em participar de programas na TV, cantar em grupos teens, aparecer em colunas sociais, posar para revistas masculinas (ou femininas ou gays) e ser motivo de perseguição daqueles que alimentam essa vazia rede de influência.
A justificativa nessas ações – como bem diz o autor – está na busca da auto-afirmação, na melhoria da auto-estima e, claro, na chance de fugir do anonimato, praga que persegue 99,9% da população mundial – não, não há pesquisa (outra praga dos tempos atuais) sobre o assunto. Da mesma maneira, tal porcentagem pode ser aplicada àqueles que, em algum momento, sonham em ser “alguém”. Como Darlene e Jaqueline, tipos criados por Gilberto Braga que, pelo menos até o final da novela, prometem deixar a discussão em pé. A exemplo, também, do reality romance de Ignácio de Loyola, totalmente up-to-date (só para usar uma expressão na moda e, claro, famosa) e de final surpreendente.