Até meados do século passado, mais do que simplesmente uma doença de românticos incuráveis, a tuberculose foi um dos grande pesadelos do povo brasileiro. Mas, não é uma página virada na história. O País ainda registra, a cada ano, 93 mil casos, dos quais 85 mil são considerados novos.
Estes números, que colocam o Brasil entre os 22 países que concentram 80% dos casos de tuberculose registrados no mundo, se não são exatamente aflitivos, preocupam o Ministério da Saúde. Para combater a doença, foi lançada oficialmente uma campanha publicitária com o intuito de atacar de maneira mais definitiva o problema.
“A tuberculose nunca deixou de existir. O problema é que ela foi negligenciada pelo sistema de saúde pública”, afirma Josenei dos Santos, coordenador do Programa Nacional de Combate à Tuberculose, do Sistema de Vigilância de Saúde – PNCT, órgão ligado ao Ministério da Saúde.
Somente isso, segundo ele, explica porque existem tantos casos novos da doença no Brasil. “São 85 mil dentro dos 93 mil casos registrados anualmente”, quantifica. O especialista contabiliza ainda que desses, 6 mil redundam em mortes todo o ano.
Josenei Santos faz questão de informar, porém, que os números têm se mantido os mesmos nos últimos dez anos. E isto não pode ser considerado positivo porque é necessário baixar a quantidade de afetados pela tuberculose antes que o quadro possa piorar. “Com o advento da Aids, por exemplo, existe uma tendência do número de tuberculosos aumentar”.
Explica-se. Quem tem imunidade baixa, como os portadores do vírus do HIV, ou que possui defesas mais fracas, como as crianças e os idosos, têm mais chances de contaminação pelo bacilo de Koch, o Mycobacterium tuberculosis, bactérica causadora da tuberculose.
Para que a doença não desande ou volte a ser uma preocupação maior é preciso, de acordo com o coordenador do Programa Nacional, que se tenha um controle dela. “Temos que alcançar as metas internacionais, e que o Brasil obedece, que é diagnosticar, pelo menos, 70% dos casos existentes, e curar, no mínimo, 85% deles”, destaca Josenei.
Segundo ele, o que está contecendo para não se chegar a esse número é que o esforço do governo federal arrefeceu na última década e as pessoas, sem orientação, começaram a abandonar o tratamento antes de ficarem boas. “Daí que a campanha do Ministério da Saúde está voltando a informar à população que a tuberculose pode ser curada, mas que, para isso, o doente precisa fazer um tratamento de seis meses, sem interrupções”, explica o coordenador.
Esta é a informação básica presente na campanha publicitária na TV e rádio, capitaneada pelo ator Pedro Cardoso (o Augustinho de A Grande Família ), que está sendo veiculada nestes dias e que custou R$ 4,1 milhões, o maior investimento dos últimos dez anos nesta área.