Paralelamente à atividade principal que exerce como instituição do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça vem se tornando um referencial para eventos artísticos e de lazer. Diversas exposições de artes plásticas têm sido promovidas no Espaço Cultural, que fica no mezanino do Prédio dos Plenários, onde, na próxima quarta, será inaugurada a mostra Germinal, de Naura Timm.
A sala foi reformada em 2001 para se adaptar às condições de galeria e, desde então, foram realizadas 40 mostras e registrados cerca de 35.600 visitantes.
O Tribunal conta ainda com museu, uma mostra multimídia permanente sobre suas atividades e biblioteca, onde se desenvolvem projetos culturais e educativos para o público estudantil.
casa do povoA literatura também tem prestígio na Casa. Ontem, o poeta e contista Humberto Gomes de Barros, ministro da Corte Especial do STJ, lançou As Pernas da Cobra, um livro de fábulas que desembocam em “uma sutil crítica ao Judiciário”, segundo comentário assinado pelo ex-ministro da Justiça Saulo Ramos.
O presidente do STJ, ministro Edson Vidigal, destaca: “Esses espaços culturais são do povo”. Sob tal perspectiva, um novo movimento de aproximação do Tribunal à sociedade está previsto para o próximo ano, com a instalação de um cineclube no auditório externo, destinado à exibição de filmes que abordem a justiça social.
A idéia – fomentar debates com os espectadores e diretores ao final das projeções – nasceu a partir do convite do STJ à cineasta brasiliense Maria Augusta Ramos, para a pré-estréia do seu documentário Justiça, ganhador de vários prêmios, entre eles o Grand Prize, do Festival de Documentários de Taiwan, e o da Anistia Internacional para Documentários.
“Os magistrados e os servidores não podem se isolar do povo e da sociedade”, resume o ministro aposentado Paulo Roberto da Costa Leite, que presidiu o STJ no biênio 2000/02. Sua gestão teve como uma das metas principais o empenho em firmar uma ponte entre o Tribunal e a sociedade. A cultura é esta ponte.
curiosidadesHá também a exposição permanente Memória e Ação, constantemente renovada, com vídeos e recursos multimídia que apresentam o Tribunal e seus integrantes hoje. E, ainda, o Museu, que reúne materiais da época do extinto Tribunal Federal de Recursos – mobílias, togas e equipamentos utilizados pelos magistrados, além de documentos importantes e curiosos, como o inventário da Dona Beja e o registro do primeiro divórcio do Brasil. Uma peça de grande interesse histórico é um relatório de investigação sobre o Partido Comunista Brasileiro, em 1946.
Oscar Niemeyer estava no auge de sua maturidade artística quando concebeu o complexo arquitetônico do Superior Tribunal de Justiça. A partir do conceito de Tribunal da Cidadania, o arquiteto, então com 82 anos, projetou mais uma obra de arte no elenco de monumentos que compõem o cartão postal da capital federal.
“É um prédio invulgar que se destaca na paisagem”, analisa José Carlos Coutinho, especialista em Arquitetura e professor da UnB. “O simples fato de ser um projeto de Niemeyer já o coloca em outro patamar”. Coutinho aponta ainda para os pilares imensos e para o que chama de “abundância amazônica” – os espaços no interior do Tribunal. “Há muita diferença entre os prédios do STJ e os de outros tribunais, geralmente mais acanhados e de aparência mais fechada – às vezes, até hostil”, observa o professor.
A área total construída do complexo arquitetônico, meio que escondido entre as embaixadas da França e dos Estados Unidos, no Setor de Autarquias Federais Sul (Safs), é de 139 mil metros quadrados. De cara, chamam atenção as linhas sinuosas dos vitrais de Marianne Peretti. Mas o STJ tem muito mais. E quer mostrar.