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Travessuras na televisão

Arquivo Geral

04/10/2005 0h00

O personagem mais famoso de Ziraldo, o Menino Maluquinho, vai aparecer pela primeira vez na televisão de cabelo ruivo, numa série de 26 capítulos da TVE Brasil a partir de novembro. Os fãs devem aguardar novidades quanto à exibição, já que a produção negocia a transmissão também em outras emissoras. Em Brasília, a TVE Brasil tem parte de sua programação exibida pela TV Nacional.

Nesta versão, o Menino Maluquinho está diferente dos conhecidos traços do cartunista Ziraldo e do que já foi exibido nos cinemas. Mas sua casa, cujo cenário foi construído num estúdio da Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde estão sendo feitas as gravações, é familiar: o quarto vive bagunçado, os brinquedos estão sempre espalhados e muitas fotos enfeitam as paredes e as estantes.

Os móveis da sala, do escritório, da cozinha, do quarto e do banheiro são envelhecidos e os eletrodomésticos e livros, usados. Tudo, segundo o diretor César Rodrigues, ajuda a imprimir realidade ao programa. O convite para dirigir a série veio quando César fazia a produção do terceiro longa do personagem, que já tem 25 anos.

“É um personagem muito conhecido, porém muito jovem e brasileiro”, afirma. “O grande mérito da série é estar centrado no livro. É uma história de vida”. Escovar os dentes, fazer xixi, o primeiro dia de aula, a hiperatividade infantil, a primeira namorada, as diferenças entre os amigos, o incentivo à leitura e as brincadeiras saudáveis em família são quadros do cotidiano da vida “maluquinha”.

cotidianoAs histórias do dia-a-dia da típica família de classe média foram costuradas no roteiro criado por Cao Hamburguer e Anna Muylaert, de Castelo Rá-Tim-Bum (1995), o premiado programa infantil exibido na TV Cultura até hoje.

A equipe de produção do Menino Maluquinho é praticamente a mesma, ao menos nas bases, tendo à frente do projeto Beth Carmona e Rosa Crescente. A primeira é presidente da TVE e a segunda responde pela direção de programação da emissora.

Maluquinho, que na história original tem dez anos, será mostrado em três fases: uma antes, de referência, aos 5 anos (Felipe Severo); na idade do personagem (Pedro Saback); e, depois, aos 30 anos (ator indefinido). “O último (que aparecerá em depoimentos no meio das tramas) serve como aglutinador de todas as histórias, como uma reflexão do que ele fez na infância e do que é atualmente”, antecipa o diretor.

A série é uma oportunidade de resgatar o papel da emissora – educar, segundo Carmona, que tem promovido nos últimos dois anos uma bem-sucedida reestruturação no canal. “Fazemos um programa comprometido com o que achamos que deva ser uma TV pública no país”, afirma. “É a possibilidade de oferecer algo desenvolvido originalmente. Temos um compromisso histórico com isso”.

investimentoNão é a primeira vez que a TVE aposta em Ziraldo para produzir um infantil. Em 1998, a gravação de 20 episódios de A Turma do Pererê fez tanto sucesso que o programa é exibido até hoje na televisão.

De lá para cá, não foi registrado nada tão significativo quanto O Menino Maluquinho – um investimento de R$ 7 milhões com parte dos recursos do MinC e que ainda procura patrocínio da iniciativa privada por meio de incentivos fiscais. “A gente já trabalhou com outros programas que fizeram sucesso entre as crianças, mas, desta vez, a gente quis trazer a literatura para a TV como homenagem ao Ziraldo, aos pais e às crianças”, complementa Rosa Crescente.

Uma placa na porta do quarto avisa: “Atenção: Maluquinho”. O diretor César Rodrigues resume: “É um menino que tem uma infância normal. Ele não é um herói; é um menino feliz, por isso é maluquinho”. Beth Carmona completa: “É um misto de criatividade com liberdade na condução da própria vida, da resolução de problemas, na tristeza ou na alegria. Dar limites é diferente de limitar”.

O intuito do diretor é mostrar um ambiente familiar saudável para as crianças e para os pais. “Tenho a sensação que vai dar uma inveja gostosa pela liberdade e pela comunicação entre a família”, empolga-se. Ele também espera atingir o saudosismo adulto, já que as relações entre pais e filhos e o próprio convívio familiar andam bastante desgastados.

fases

A história tem três fases distintas, sendo a principal a dos dez anos. As outras duas vão ser inseridas no meio como flashbacks, para a fase dos cinco, e projeções, para os 30 anos. O contexto base é uma família feliz, mas não idealizada, que passa por problemas reais, que não devem abalar sua estrutura. Os episódios são temáticos, o que vai ajudar a criar parâmetros sobre escola, amizades, família, valores, entre outros.

A surpresa vai ficar com os momentos incríveis do personagem. “Vai ser um por capítulo, onde o Maluquinho foge da realidade e viaja em suas fantasias”, afirma o diretor. A escolha dos atores mirins foi um dos pontos mais complicados para César. “Estão valorizando a criança pela maturidade dela e não pela espontaneidade”, afirma. O diretor estava em busca de quem tivesse energia, naturalidade e ritmo e não viesse “engessado”.

Primeiro, escolheu Pedro Saback, de nove anos, e depois Felipe Severo, de seis. O comportamento e gestos parecidos foi o que chamou a atenção do diretor. O problema estava na cor dos cabelos – Felipe é ruivo. Sobrou para Pedro ter de pintá-los. “Eu gostava mais do cabelo castanho, mas já me acostumei”, solta. O ator para viver a fase dos 30 anos ainda não foi escolhido.

Os dois atores-mirins, apesar de não contracenarem juntos, possuem um bom relacionamento. Mas é Felipe que parece ter incorporado o personagem. “Eu sou maluco que nem ele e gostei muito da panela”, brinca. Com o sonho de ser skatista, Felipe já se considera ator.

Para viver a mãe de Maluquinho, o diretor César Rodrigues buscou uma mãe de verdade. Sem pensar duas vezes, procurou Maria Mariana e mandou ver: “Não é só pelo seu talento, mas eu quero para o Maluquinho uma mãe como você”.

Maria estava afastada da tevê por ter optado pela maternidade, mas não esconde a empolgação de voltar a gravar, mesmo sem ritmo. “A série vai passar o sentimento família, cativar a felicidade domiciliar”, vibra. Sua personagem é uma dentista dedicada e que prioriza a educação do filho, responsabilidade partilhada com o pai, interpretado por Eduardo Galvão. O ator, que acabou de rodar Didi e o Caçador de Tesouros, diz que sempre admirou o universo infantil.

Na série, ele vai viver um professor de Biologia que consegue curtir a família. Eduardo espera que haja uma outra temporada para dar um bom programa para as crianças. “Seria bom se continuasse ou então houvesse uma nova história infantil, pois tem tanta coisa educativa inserida!”, acrescenta.

Ziraldo, mais uma vez, é aposta segura da televisão para seriados infantis

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    04/10/2005 0h00

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    Nesta versão, o Menino Maluquinho está diferente dos conhecidos traços do cartunista Ziraldo e do que já foi exibido nos cinemas. Mas sua casa, cujo cenário foi construído num estúdio da Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde estão sendo feitas as gravações, é familiar: o quarto vive bagunçado, os brinquedos estão sempre espalhados e muitas fotos enfeitam as paredes e as estantes.

    Os móveis da sala, do escritório, da cozinha, do quarto e do banheiro são envelhecidos e os eletrodomésticos e livros, usados. Tudo, segundo o diretor César Rodrigues, ajuda a imprimir realidade ao programa. O convite para dirigir a série veio quando César fazia a produção do terceiro longa do personagem, que já tem 25 anos.

    “É um personagem muito conhecido, porém muito jovem e brasileiro”, afirma. “O grande mérito da série é estar centrado no livro. É uma história de vida”. Escovar os dentes, fazer xixi, o primeiro dia de aula, a hiperatividade infantil, a primeira namorada, as diferenças entre os amigos, o incentivo à leitura e as brincadeiras saudáveis em família são quadros do cotidiano da vida “maluquinha”.

    cotidianoAs histórias do dia-a-dia da típica família de classe média foram costuradas no roteiro criado por Cao Hamburguer e Anna Muylaert, de Castelo Rá-Tim-Bum (1995), o premiado programa infantil exibido na TV Cultura até hoje.

    A equipe de produção do Menino Maluquinho é praticamente a mesma, ao menos nas bases, tendo à frente do projeto Beth Carmona e Rosa Crescente. A primeira é presidente da TVE e a segunda responde pela direção de programação da emissora.

    Maluquinho, que na história original tem dez anos, será mostrado em três fases: uma antes, de referência, aos 5 anos (Felipe Severo); na idade do personagem (Pedro Saback); e, depois, aos 30 anos (ator indefinido). “O último (que aparecerá em depoimentos no meio das tramas) serve como aglutinador de todas as histórias, como uma reflexão do que ele fez na infância e do que é atualmente”, antecipa o diretor.

    A série é uma oportunidade de resgatar o papel da emissora – educar, segundo Carmona, que tem promovido nos últimos dois anos uma bem-sucedida reestruturação no canal. “Fazemos um programa comprometido com o que achamos que deva ser uma TV pública no país”, afirma. “É a possibilidade de oferecer algo desenvolvido originalmente. Temos um compromisso histórico com isso”.

    investimentoNão é a primeira vez que a TVE aposta em Ziraldo para produzir um infantil. Em 1998, a gravação de 20 episódios de A Turma do Pererê fez tanto sucesso que o programa é exibido até hoje na televisão.

    De lá para cá, não foi registrado nada tão significativo quanto O Menino Maluquinho – um investimento de R$ 7 milhões com parte dos recursos do MinC e que ainda procura patrocínio da iniciativa privada por meio de incentivos fiscais. “A gente já trabalhou com outros programas que fizeram sucesso entre as crianças, mas, desta vez, a gente quis trazer a literatura para a TV como homenagem ao Ziraldo, aos pais e às crianças”, complementa Rosa Crescente.

    Uma placa na porta do quarto avisa: “Atenção: Maluquinho”. O diretor César Rodrigues resume: “É um menino que tem uma infância normal. Ele não é um herói; é um menino feliz, por isso é maluquinho”. Beth Carmona completa: “É um misto de criatividade com liberdade na condução da própria vida, da resolução de problemas, na tristeza ou na alegria. Dar limites é diferente de limitar”.

    O intuito do diretor é mostrar um ambiente familiar saudável para as crianças e para os pais. “Tenho a sensação que vai dar uma inveja gostosa pela liberdade e pela comunicação entre a família”, empolga-se. Ele também espera atingir o saudosismo adulto, já que as relações entre pais e filhos e o próprio convívio familiar andam bastante desgastados.

    fases

    A história tem três fases distintas, sendo a principal a dos dez anos. As outras duas vão ser inseridas no meio como flashbacks, para a fase dos cinco, e projeções, para os 30 anos. O contexto base é uma família feliz, mas não idealizada, que passa por problemas reais, que não devem abalar sua estrutura. Os episódios são temáticos, o que vai ajudar a criar parâmetros sobre escola, amizades, família, valores, entre outros.

    A surpresa vai ficar com os momentos incríveis do personagem. “Vai ser um por capítulo, onde o Maluquinho foge da realidade e viaja em suas fantasias”, afirma o diretor. A escolha dos atores mirins foi um dos pontos mais complicados para César. “Estão valorizando a criança pela maturidade dela e não pela espontaneidade”, afirma. O diretor estava em busca de quem tivesse energia, naturalidade e ritmo e não viesse “engessado”.

    Primeiro, escolheu Pedro Saback, de nove anos, e depois Felipe Severo, de seis. O comportamento e gestos parecidos foi o que chamou a atenção do diretor. O problema estava na cor dos cabelos – Felipe é ruivo. Sobrou para Pedro ter de pintá-los. “Eu gostava mais do cabelo castanho, mas já me acostumei”, solta. O ator para viver a fase dos 30 anos ainda não foi escolhido.

    Os dois atores-mirins, apesar de não contracenarem juntos, possuem um bom relacionamento. Mas é Felipe que parece ter incorporado o personagem. “Eu sou maluco que nem ele e gostei muito da panela”, brinca. Com o sonho de ser skatista, Felipe já se considera ator.

    Para viver a mãe de Maluquinho, o diretor César Rodrigues buscou uma mãe de verdade. Sem pensar duas vezes, procurou Maria Mariana e mandou ver: “Não é só pelo seu talento, mas eu quero para o Maluquinho uma mãe como você”.

    Maria estava afastada da tevê por ter optado pela maternidade, mas não esconde a empolgação de voltar a gravar, mesmo sem ritmo. “A série vai passar o sentimento família, cativar a felicidade domiciliar”, vibra. Sua personagem é uma dentista dedicada e que prioriza a educação do filho, responsabilidade partilhada com o pai, interpretado por Eduardo Galvão. O ator, que acabou de rodar Didi e o Caçador de Tesouros, diz que sempre admirou o universo infantil.

    Na série, ele vai viver um professor de Biologia que consegue curtir a família. Eduardo espera que haja uma outra temporada para dar um bom programa para as crianças. “Seria bom se continuasse ou então houvesse uma nova história infantil, pois tem tanta coisa educativa inserida!”, acrescenta.

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