Foram três casamentos e 14 filhos reconhecidos. Com este histórico, seria lugar comum dizer que Garrincha era um conquistador, que não conseguia resistir a um rabo-de-saia. O filme Garrincha — Estrela Solitária, cuja estréia comercial ocorre na sexta-feira, deixa claro nas primeiras cenas que o atacante teve uma agitada vida amorosa, mostrando duas cenas de sexo numa cachoeira. Ainda adolescente, Manuel dos Santos, o Mané Garrincha, namora com Nair (Roberta Rodrigues), que veio a ser sua primeira mulher, e Iraci (Ana Couto), amante durante anos. Beijos ardentes, corpos nus, caras e bocas e gemidos em cena confirmam que o filme se preocupa muito mais em explorar a vida íntima do atacante botafoguense, do que – a exemplo de Pelé Eterno – reconstruir seus dias de glórias nos gramados. A produção, dirigida por Milton Alencar Jr. e baseado no livro homônimo escrito por Ruy Castro, é, contudo, costurada por gols com a camisa 7 do Botafogo e o uniforme da seleção brasileira.
Garrincha era uma figura polêmica antes de mais nada. Sua vida amorosa – especialmente o conturbado relacionamento com a cantora Elza Soares (vivida na telona por Taís Araújo) – caíra na boca do povo. As brigas com Elza e o alcoolismo, unidos à uma artrose e graves inflamações dos meniscos do joelho direito, comprometeram o reinado do Demônio (ou Anjo) de Pernas Tortas no futebol brasileiro dos anos 60. Após operar o joelho, o atleta voltou à ativa. Passou apagado pelo Corinthians e, de volta ao Rio de Janeiro, jogou no Flamengo, Olaria e alguns times pequenos. O fim melancólico de Garrincha – solitário, pobre e raras vezes sóbrio – se deu aos seus 49 anos, em 21 de janeiro de 1983, quando não suportou as complicações causadas por uma cirrose hepática que evoluía durante quatro anos.