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Tratado das meias verdades

Arquivo Geral

17/11/2005 0h00

Segundo a tradição bíblica, foi Eva a responsável pela exclusão dos seres humanos do paraíso, no momento em que cedeu à tentação de provar do fruto. Sem saber, Eva condenaria toda a descendência feminina a pagar pelo resto da vida por seu ato impensado. A partir daí, a mulher foi alçada a um eterno segundo plano. Pelo menos é assim que esta história é contada até os dias de hoje.

No entanto, recentemente, um movimento de teólogos e intelectuais tem procurado recuperar a imagem do feminino, a partir de textos considerados apócrifos (clandestinos) pela Igreja. Um grupo de bailarinos também decidiu investigar o tema e apresenta o resultado em O Tratado das Meias Verdades, que estréia hoje, às 21h, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional.

coreografia O espetáculo reúne os intérpretes Alessandro Brandão, Giovane Aguiar, Dorka Hepp, Pedro Martins e Rachel Cardoso em torno de uma proposta que mistura influências do Contato Improvisação e do Teatro Físico, para construir uma narrativa coreográfica vigorosa de afirmação do feminino.

Os intérpretes querem provocar um olhar diferenciado sobre a sociedade brasileira, chamando a atenção para os mecanismos usados pelo Cristianismo para conspirar contra a mulher desde os primeiros tempos até os dias atuais.

“É um espetáculo de dança, feminino e generoso, que traz um outro olhar sobre a mulher contemporânea e sua mitologia, permitindo que o espectador reflita sobre sua identidade e influência social”, explica o diretor, Giovane Aguiar. E para ampliar o alcance do discurso colocado em cena, “para transportar o público para dentro da cena e para fora do teatro”, segundo as palavras de Giovane, os bailarinos decidiram unir dança e vídeo.

As imagens projetadas criam atmosfera que vai além da caixa cênica, passando por lugares onde a memória está gravada e para onde os sentimentos são levados.

Reflexão

Durante a pesquisa, os intérpretes estudaram vários textos, para construir uma linha de pensamento que permitisse a reflexão sobre o feminino, seu papel e utilização na sociedade. O começo foi o livro O Poder do Mito, de Joseph Campbell, que de uma maneira poética e mágica transporta o leitor para os mitos que estão dentro de cada um. Entre eles o de nascer e morrer.

“Foi assim que chegamos ao Gênesis da Bíblia e aos textos tidos como apócrifos”, explicam. “O mundo contemporâneo tem buscado respostas para algumas questões que a Bíblia não responde ou oculta. Quando lemos estes textos juntos podemos remontar este quebra-cabeça e descobrir como o Cristianismo conspirou para que a mulher e o feminino não tivessem acesso ao conhecimento”.

Dos textos tidos como apócrifos, dois foram fundamentais para o estudo: O Evangelho de Maria Madalena e A Origem do Mundo. No primeiro, tem-se uma compreensão do conhecimento sob o ponto de vista do feminino. O segundo, de acordo com Giovane Aguiar, apresenta a revelação de que este mundo em que vivemos é a experiência da ciência do bem e do mal, coexistindo ao mesmo tempo.

A idéia de trabalhar sobre este tema partiu do diretor, Giovane Aguiar, que pesquisa o assunto desde os 18 anos de idade. “Isso sempre me fascinou. Comecei lendo estes textos para tentar entender os buracos que encontro quando leio a Bíblia”, explica.

Em julho, o trabalho começou em uma dupla com Pedro Martins. A proposta era explorar as possibilidades de movimento. Depois o grupo foi reunido e os intérpretes provocados a se expressarem a partir dos textos lidos em conjunto.

Serviço

O Tratado das Meias Verdades – Coreografia de Giovani Aguiar. De hoje a domingo, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional. Ingressos a R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia). Hoje, amanhã e sábado às 21h. Domingo, às 20h.

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    No entanto, recentemente, um movimento de teólogos e intelectuais tem procurado recuperar a imagem do feminino, a partir de textos considerados apócrifos (clandestinos) pela Igreja. Um grupo de bailarinos também decidiu investigar o tema e apresenta o resultado em O Tratado das Meias Verdades, que estréia hoje, às 21h, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional.

    coreografia O espetáculo reúne os intérpretes Alessandro Brandão, Giovane Aguiar, Dorka Hepp, Pedro Martins e Rachel Cardoso em torno de uma proposta que mistura influências do Contato Improvisação e do Teatro Físico, para construir uma narrativa coreográfica vigorosa de afirmação do feminino.

    Os intérpretes querem provocar um olhar diferenciado sobre a sociedade brasileira, chamando a atenção para os mecanismos usados pelo Cristianismo para conspirar contra a mulher desde os primeiros tempos até os dias atuais.

    “É um espetáculo de dança, feminino e generoso, que traz um outro olhar sobre a mulher contemporânea e sua mitologia, permitindo que o espectador reflita sobre sua identidade e influência social”, explica o diretor, Giovane Aguiar. E para ampliar o alcance do discurso colocado em cena, “para transportar o público para dentro da cena e para fora do teatro”, segundo as palavras de Giovane, os bailarinos decidiram unir dança e vídeo.

    As imagens projetadas criam atmosfera que vai além da caixa cênica, passando por lugares onde a memória está gravada e para onde os sentimentos são levados.

    Reflexão

    Durante a pesquisa, os intérpretes estudaram vários textos, para construir uma linha de pensamento que permitisse a reflexão sobre o feminino, seu papel e utilização na sociedade. O começo foi o livro O Poder do Mito, de Joseph Campbell, que de uma maneira poética e mágica transporta o leitor para os mitos que estão dentro de cada um. Entre eles o de nascer e morrer.

    “Foi assim que chegamos ao Gênesis da Bíblia e aos textos tidos como apócrifos”, explicam. “O mundo contemporâneo tem buscado respostas para algumas questões que a Bíblia não responde ou oculta. Quando lemos estes textos juntos podemos remontar este quebra-cabeça e descobrir como o Cristianismo conspirou para que a mulher e o feminino não tivessem acesso ao conhecimento”.

    Dos textos tidos como apócrifos, dois foram fundamentais para o estudo: O Evangelho de Maria Madalena e A Origem do Mundo. No primeiro, tem-se uma compreensão do conhecimento sob o ponto de vista do feminino. O segundo, de acordo com Giovane Aguiar, apresenta a revelação de que este mundo em que vivemos é a experiência da ciência do bem e do mal, coexistindo ao mesmo tempo.

    A idéia de trabalhar sobre este tema partiu do diretor, Giovane Aguiar, que pesquisa o assunto desde os 18 anos de idade. “Isso sempre me fascinou. Comecei lendo estes textos para tentar entender os buracos que encontro quando leio a Bíblia”, explica.

    Em julho, o trabalho começou em uma dupla com Pedro Martins. A proposta era explorar as possibilidades de movimento. Depois o grupo foi reunido e os intérpretes provocados a se expressarem a partir dos textos lidos em conjunto.

    Serviço

    O Tratado das Meias Verdades – Coreografia de Giovani Aguiar. De hoje a domingo, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional. Ingressos a R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia). Hoje, amanhã e sábado às 21h. Domingo, às 20h.

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