Quem se lembra de Tropicaliente, escrita também por Walther Negrão, vai achar semelhanças em Como Uma Onda. Principalmente no núcleo dos pescadores. O casal Rosário e Floriano, por exemplo, é igual ao formado por Dalila e Cassiano, vividos por Carla Marins e Márcio Garcia.
Não é o primeiro nem será o último caso de intensas semelhanças entre novelas. O fato de as crianças Gigi, Franklin e Rubico serem chegadas a assombrações, por exemplo, lembra o núcleo infantil de Começar de Novo, novela das sete da mesma emissora, em que os meninos adoram incursionar pelo mundo dos extraterrestres.
E tal semelhança não pára por aí: na primeira emissora concorrente, o SBT, as crianças de Alegrifes e Rabujos vivem se envolvendo com criaturas de outro mundo. A novela, mais uma que a emissora paulista adquiriu do México, tem feito sucesso entre o público infantil.
Mas isso, por enquanto, são detalhes. Segundo o diretor Dennis Carvalho, que estréia Como Uma Onda com 18 capítulos prontos, a nova novela tem tudo para agradar.
“É delicado estrear depois de um sucesso como Cabocla”, pondera. “Assusta. Mas o gancho da trama é atual, traz novidade e é romântica. E a cobrança pela audiência é a mesma de uma novela das oito. Nesse horário gira em torno de 35 a 40 pontos de média”.
Foi de Dennis a idéia de trazer Mel Lisboa para o elenco. “Ela fez uma novela comigo, Desejos de Mulher”, lembra. “Mas Mel precisava de outros vôos fora da TV. Fez teatro, cinema, e está mais madura como atriz”. É nisso, pelo menos, que ele aposta com relação ao potencial da atriz gaúcha, que fez estrondoso sucesso pela ousadia do argumento ao estrear, como protagonista, na minissérie Presença de Anita.
Outra pessoa em quem se aposta nesta nova novela é o galã português Ricardo Pereira, também protagonista. O autor da novela, Walther Negrão, destaca o interesse estrangeiro nas tramas brasileiras e conclui que, justamente pelo fato de nossas novelas serem exportadas para o mundo todo, a participação internacional no elenco conta pontos.
“Quando faço uma novela, faço como um produto e quero que venda”, diz. “Até porque tenho porcentagem nas vendas. Quando coloquei o português, pensei: se a gente quer ganhar o mundo, tem de ter um protagonista internacional. O mais próximo de nós, por causa da língua, é o português. Outro que via no papel era Antonio Banderas, mas a gente não ia conseguir pagar”.
A escolha do Sul para as locações também tem a ver com isso, acentua o autor: “É outra civilização, não só dos alemães e italianos, também dos portugueses. Por isso peguei o núcleo açoriano. Os portugueses se fixaram nas praias, eles trouxeram a cultura da pesca. Em Florianópolis, me deparei com a cultura dos Açores e falei: tenho de ter um protagonista português. Não adianta fazer uma família portuguesa no meio de dez brasileiras. Precisava de um destaque”. Pelo jeito, já arranjou.