Tempos difíceis estão por vir à escola de magia de Hogwarts e especialmente ao bruxinho Harry Potter, que já não é nenhuma criança na quarta produção cinematográfica da série inspirada na saga literária da escocesa J.K. Rowling, Harry Potter e o Cálice de Fogo. O jovem feiticeiro está com 14 anos e, como seus anos, a trama também amadurece.
A jornada de Harry começou inclinada para a literatura infantil – no cinema, teve seus dois primeiros capítulos conduzidos pelas mãos do diretor Chris Columbus, responsável por comédias infanto-juvenis como Esqueceram de Mim e Uma Babá Quase Perfeita, e bem afinado com criaturas pegajosas e monstrengos, afinal ele criou os Gremlins.
A partir do terceiro volume, O Prisioneiro de Azkaban, a trama exigiu um cinema na linha de suspense, com uma fotografia noir e desafios mais sérios para “o jovem Harry Potter”. O objetivo foi alcançado, graças à mão firme do cineasta mexicano Alfonso Cuarón, e fez daquele o melhor da franquia até agora.
Supera por muito pouco a nova produção, cuja direção é pela primeira vez assinada por um britânico (como a maioria do elenco): Mike Newell (Quatro Casamentos e um Funeral e O Sorriso de Mona Lisa). A trama contempla o quarto ano de aula de Harry e os amigos Hermione Granger e Ron Weasley na Escola de Hogwarts. A comunidade está sob o ataque iminente dos comensais da morte e o herói-mirim tem pesadelos cada vez mais intensos com o assassino de seus pais, o Lorde das Trevas, Voldemort.
A história consiste basicamente na competição suicida do Torneio Tribruxo, no qual os três magos mais poderosos de todas as escolas são escolhidos pelo cálice de fogo para participar. A idade mínina para competir é 17 anos, porém, o cálice, por vontade própria elege um quarto bruxo, para surpresa de todos, especialmente o eleito: Harry Potter.
O Cálice de Fogo trabalha com um enredo mais complexo, o que não garante seu sucesso sobre o anterior. Se na literatura, o intuito da série é se superar a cada episódio, no cinema precisaria acompanhar o ritmo. O trunfo deste capítulo é a primeira aparição em carne e osso de Voldemort (Ralph Fiennes, escondido por trás de uma maquiagem diabólica).
Nem por isso deixa de ser um ótimo filme de aventura, que certamente deixará pouco a desejar para os fiéis leitores de Rowling e, de lambuja, garante à Warner Bros o topo da lista dos blockbusters do ano. O recorde de maior bilheteria para o dia de estréia já é dele: US$ 39,77 milhões, superando o ex-campeão Homem-Aranha (com US$ 39,40 milhões), segundo dados oficiais da distribuidora.