O sucesso alcançado por Senhora do Destino está levando alguns setores da TV Globo a se perguntar o seguinte: até onde chega o fôlego do autor Aguinaldo Silva? Ao contrário da maioria dos roteiristas, que só entrega o jogo no último capítulo, ele resolveu investir num jeito novo de escrever novela. A sua história chega à metade do caminho sem fazer nenhuma economia. Já despachou três personagens, vividos por Tarcísio Meira, Roberto Bomtempo e Elisângela. Reaproximou, ainda que discretamente, mãe e filha, Suzana Vieira e Carolina Dieckmann, algo que muita gente imaginava ser possível apenas na reta final. E, se isso não bastasse, até a tal surra da mocinha na bandida, que poderia render picos altíssimos no último dia, também foi antecipada pelo autor. E vale lembrar que a novela tem proporcionado, em todos os seus capítulos, ganchos e argumentos que motivam o telespectador a sintonizá-la no dia seguinte. Se, de um lado, Aguinaldo Silva encontrou uma maneira perigosa de escrever novela, somos todos obrigados a reconhecer que o seu sucesso é indiscutível. O telespectador não tem chance de mudar de canal. Senhora do Destino continua registrando índices incríveis, deixando pouca coisa para a concorrência. Mas voltando a falar em fôlego, ninguém duvida da capacidade de Aguinaldo Silva, um profissional que dispensa apresentações. Porém, ele, como poucos, sabe perfeitamente da importância de uma equipe bem entrosada para o sucesso de qualquer negócio. Aí entram em cena os seus colaboradores, escritores como Silva, responsáveis pela retaguarda. São pessoas que quase não aparecem, mas também devem ser merecidamente destacados: Filipi Miguez, Glória Barreto, Maria Elisa Berredo e Nelson Nadoti. Méritos à parte, só mais uma constatação: nunca, em tempo algum, a concorrência colaborou tanto com o sucesso da Globo, principalmente neste horário.