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Tom Jobim tem show editado em CD

Arquivo Geral

13/11/2004 0h00

Do baú de Tom Jobim, cujo fundo ainda não é visível, salta para as lojas na próxima semana uma raridade: Antonio Carlos Jobim em Minas ao Vivo (Biscoito Fino). Fruto de um show de 1981, é o único registro fonográfico apenas piano-e-voz do maestro. Com exceção das palmas da platéia, não há, nas 18 faixas, nenhum outro som além da voz roufenha e do piano econômico de Tom, ambos inigualáveis.

“É um disco único mesmo. Há, em outros discos, pedaços dele cantando e tocando sozinho, mas um show inteiro eu nunca tinha ouvido”, ressaltou, na entrevista coletiva realizada na quarta-feira, Paulo Jobim, filho do maestro e responsável pela preservação e ampliação de sua obra. “Se eu tivesse ouvido essa gravação antes de escrever todos os arranjos para piano das músicas para o Cancioneiro Jobim, tudo teria sido mais fácil”, completou.

O show Ocorrido no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 15 de março de 1981, o show se deu pouco antes de Tom começar a montar a Banda Nova, com a qual se apresentaria até o fim da vida (há dez anos, em 8 de dezembro de 1994). Ele ainda evitava subir aos palcos, fazendo temporadas apenas ao lado de amigos, como a de sete meses em 1977 com Toquinho, Vinicius de Moraes e Miúcha.

A anomalia da apresentação é ressaltada pelo próprio Tom na abertura do disco. Antes de cantar a primeira música, ele ainda dedica o show a seus parceiros, que norteiam a montagem do repertório: primeiramente, músicas com Newton Mendonça (2), depois Dolores Duran (2), Vinicius (7), Aloysio de Oliveira (2), Chico Buarque (1) e o letrista Tom (4). No bis, vem Garota de Ipanema, letra de Vinicius.

Ele canta, entre outros clássicos, Samba de uma Nota Só, Por Causa de Você, Se Todos Fossem Iguais a Você, Água de Beber, Eu Sei que Vou te Amar, Modinha, Chega de Saudade, Dindi, Corcovado, Lígia e Águas de Março.

O disco Para o mercado exterior, o CD não terá as falas de Tom. Já os consumidores brasileiros poderão ouvir gracejos como o que ele faz antes de cantar o megassucesso Desafinado: “Ninguém quis gravar, os editores não queriam editar, João Gilberto não quis nada com ela”. Ou lembrando quando Vinicius o chamou para ser seu parceiro na trilha de Orfeu da Conceição e ele, ainda desconhecido, perguntou: “Tem um dinheirinho nisso?”. Ou exaltando Chico, antes de interpretar Retrato em Branco e Preto: “É craque mesmo, tipo Pelé, Garrincha”.

Mas o que importa mais, é claro, são as músicas. A possibilidade rara de ouvir Tom sozinho ao piano, cantando e tocando muito bem afasta qualquer preconceito em relação ao desejo dos herdeiros do compositor de escarafunchar seu baú. “Não vamos lançar qualquer coisa, apenas o que tiver qualidade bacana”, esclareceu Paulo Jobim, que retirou do disco a versão de A Felicidade exatamente por não estar em boas condições técnicas.

Rádio virtualSegundo ele, gravações em mau estado, mas que tenham valor de curiosidade ou pesquisa, estarão no site do Instituto Antonio Carlos Jobim, ainda em construção. O objetivo, a médio prazo, é criar uma rádio virtual para levar à internet as músicas de Tom, mas cobrando de quem quiser baixar os arquivos. “Não vamos vender, como uma gravadora, mas é preciso pagar direitos autorais. Liberar tudo, como há quem defenda, não resolve o problema”, disse Paulo.

Antonio Carlos Jobim em Minas ao Vivo é o primeiro produto do selo Jobim Biscoito Fino, associação entre a Jobim Music – comandada pela viúva Ana Lontra Jobim – e a gravadora Biscoito Fino, de Kati Almeida Braga e Olívia Hime.

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    13/11/2004 0h00

    Do baú de Tom Jobim, cujo fundo ainda não é visível, salta para as lojas na próxima semana uma raridade: Antonio Carlos Jobim em Minas ao Vivo (Biscoito Fino). Fruto de um show de 1981, é o único registro fonográfico apenas piano-e-voz do maestro. Com exceção das palmas da platéia, não há, nas 18 faixas, nenhum outro som além da voz roufenha e do piano econômico de Tom, ambos inigualáveis.

    “É um disco único mesmo. Há, em outros discos, pedaços dele cantando e tocando sozinho, mas um show inteiro eu nunca tinha ouvido”, ressaltou, na entrevista coletiva realizada na quarta-feira, Paulo Jobim, filho do maestro e responsável pela preservação e ampliação de sua obra. “Se eu tivesse ouvido essa gravação antes de escrever todos os arranjos para piano das músicas para o Cancioneiro Jobim, tudo teria sido mais fácil”, completou.

    O show Ocorrido no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 15 de março de 1981, o show se deu pouco antes de Tom começar a montar a Banda Nova, com a qual se apresentaria até o fim da vida (há dez anos, em 8 de dezembro de 1994). Ele ainda evitava subir aos palcos, fazendo temporadas apenas ao lado de amigos, como a de sete meses em 1977 com Toquinho, Vinicius de Moraes e Miúcha.

    A anomalia da apresentação é ressaltada pelo próprio Tom na abertura do disco. Antes de cantar a primeira música, ele ainda dedica o show a seus parceiros, que norteiam a montagem do repertório: primeiramente, músicas com Newton Mendonça (2), depois Dolores Duran (2), Vinicius (7), Aloysio de Oliveira (2), Chico Buarque (1) e o letrista Tom (4). No bis, vem Garota de Ipanema, letra de Vinicius.

    Ele canta, entre outros clássicos, Samba de uma Nota Só, Por Causa de Você, Se Todos Fossem Iguais a Você, Água de Beber, Eu Sei que Vou te Amar, Modinha, Chega de Saudade, Dindi, Corcovado, Lígia e Águas de Março.

    O disco Para o mercado exterior, o CD não terá as falas de Tom. Já os consumidores brasileiros poderão ouvir gracejos como o que ele faz antes de cantar o megassucesso Desafinado: “Ninguém quis gravar, os editores não queriam editar, João Gilberto não quis nada com ela”. Ou lembrando quando Vinicius o chamou para ser seu parceiro na trilha de Orfeu da Conceição e ele, ainda desconhecido, perguntou: “Tem um dinheirinho nisso?”. Ou exaltando Chico, antes de interpretar Retrato em Branco e Preto: “É craque mesmo, tipo Pelé, Garrincha”.

    Mas o que importa mais, é claro, são as músicas. A possibilidade rara de ouvir Tom sozinho ao piano, cantando e tocando muito bem afasta qualquer preconceito em relação ao desejo dos herdeiros do compositor de escarafunchar seu baú. “Não vamos lançar qualquer coisa, apenas o que tiver qualidade bacana”, esclareceu Paulo Jobim, que retirou do disco a versão de A Felicidade exatamente por não estar em boas condições técnicas.

    Rádio virtualSegundo ele, gravações em mau estado, mas que tenham valor de curiosidade ou pesquisa, estarão no site do Instituto Antonio Carlos Jobim, ainda em construção. O objetivo, a médio prazo, é criar uma rádio virtual para levar à internet as músicas de Tom, mas cobrando de quem quiser baixar os arquivos. “Não vamos vender, como uma gravadora, mas é preciso pagar direitos autorais. Liberar tudo, como há quem defenda, não resolve o problema”, disse Paulo.

    Antonio Carlos Jobim em Minas ao Vivo é o primeiro produto do selo Jobim Biscoito Fino, associação entre a Jobim Music – comandada pela viúva Ana Lontra Jobim – e a gravadora Biscoito Fino, de Kati Almeida Braga e Olívia Hime.

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