Em Belíssima, uma das regras é dar asas à imaginação e brincar com as fantasias sexuais mais secretas dos personagens e do público. Para a mulherada, a graxa de Pascoal (Reynaldo Gianecchini). Já o avental de Mônica (Camila Pitanga) faz a rapaziada delirar. Que o diga Alberto, personagem de Alexandre Borges na novela. Para o ator, muitos garotos têm tara por domésticas.
“Existe fetiche por empregada, sim. Os meninos de 14, 15 anos têm uma excitação grande, a libido está aflorada e para onde ele puder atirar acerta”, avalia Alexandre, que inclui Albeto neste grupo. “Ele é um executivo que curte correr atrás de mulheres simples. Mas ele está mudando. A obsessão dele por Mônica virou amor”.
Fantasia Mônica não é a primeira doméstica que cai nas graças de um personagem de Alexandre. Em Belíssima mesmo, Alberto teve um filho com a babá Valdete (Leona Cavalli). Já em Laços de Família, o ator encarnou o garanhão Danilo, que se envolvia com Ritinha (Juliana Paes).
“É uma coincidência de foco desses personagens desejarem mulheres que servem os homens. Há o fetiche do avental aí”, diz ele, que é alvo de brincadeiras nas ruas. “As pessoas me perguntam o que eu fiz na Globo para contracenar com Juliana e Camila. Dizem que sou um felizardo”, diverte-se ele. Mas as piadas estão longe de acabar.
Em breve, Alexandre estará na telona como um quarentão pegador de ninfetas no filme O Gatão de Meia-Idade. Ou seja, vem aí o Tio Glauco do cinema.
fetiche Nas novelas, o avental, freqüentemente, vira fetiche. Mas será que povoar as fantasias dos homens deixa as domésticas incomodadas? Segundo a diretora do Sindicato de Trabalhadores Domésticos do Município do Rio, Arinda Libania de Jesus, a brincadeira, às vezes, não é aprovada pela classe.
“Em Belíssima, Alberto queria conquistar Mônica na marra. E parecia assédio. Mas no decorrer da história, ele mostrou interesse de verdade por ela. Aí, tudo bem. Mas esse tipo de abordagem em novela não deve virar regra. Incomoda abordar as domésticas como parte de fantasias sexuais”, diz.
Assassino Alexandre Borges não aposta em Alberto como o assassino de Bia Falcão (Fernanda Montenegro). “Eu duvido que ele seja o matador. Ele sofre com a morte dela. Mas é uma novela de Silvio de Abreu, que não se prende ao confortável. Mas não espero ser o grande vilão”.
Alberto começou a trama como um mau caráter, mas, aos poucos, está mudando. “Eu acredito que ele está mais humanizado. E é esse amor que ele está sentindo por Mônica que o fez mudar. Mesmo que por vias tortas, ele agora redescobriu a paternidade ao assumir seu filho, Toninho”, analisa.