O ator Osmar Prado adora cantar. Tem esse hobby há muitos anos, mas há cerca de dez resolveu estudar a fundo esta arte com a professora Jurema Fontoura. As aulas eram tão divertidas que a dupla decidiu mostrar as público o que ocorria nas classes. O resultado é a montagem Delírio Poético e Musical, que será apresentada hoje e amanhã, em Brasília, na Sala Funarte.
A montagem estreou no ano passado, em comemoração aos 45 anos de carreira de Osmar Prado. Agora, já com 46 anos de estrada – começou antes de Brasília –, ele chega à cidade para duas apresentações que estavam agendadas há muito tempo. “O espetáculo não está mais rodando o Brasil”, explica o ator. “Estou no Rio ensaiando uma outra peça, mas parei tudo para cumprir a agenda de Brasília”.
Em cena, ele canta e declama poesias. “Quero mostrar o trabalho do ator e do que canta. Não tenho a menor pretensão de lançar um novo cantor no mercado”, adverte, brincando. Ele explica que a seleção do repertório partiu das músicas. “Incluímos modinhas de Sérgio Bittencourt, poesias de Mário Quintana, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes e outras obras-primas nacionais. Mas não tive nenhuma preocupação lógica. Por isso chama-se Delírio”, completa. Nas apresentações de hoje e amanhã, o ator estará acompanhado pelo pianista Ricardo Macgorde e a bailarina Vânia Penteado, sua mulher, que faz três números de acrobacia, trapézio e dança.
Perguntado sobre seus 46 anos de carreira, Osmar Prado é categórico ao afirmar que o aprendizado é parte da sua vida. “Ainda quero fazer muitas coisas. E aprendo novidades todos os dias. Um exemplo foi durante as gravações da série Hoje é Dia de Maria. Trabalhar com os grupos Galpão e Giramundo foi fantástico”, conta.
Ele adianta que o sucesso da a minissérie foi tamanho que ela vai virar filme e DVD, e que talvez tenha uma continuação. “A Globo vai lançar o filme, nos moldes do que fez com o Auto da Compadecida”, antecipa.
Perguntado sobre os momentos mais especiais da sua carreira, ele faz uma viagem no tempo e ressalta dois trabalhos. “No teatro, foi quando estreei no Teatro Bela Vista, na companhia de Sérgio Cardoso. O teatro hoje leva o nome dele. E na televisão, foi quando fiz a novela Verão Vermelho, de Dias Gomes”, relembra.
Seu foco agora está nos ensaios da peça Um Caminho Para Dois, escrita e dirigida por Flávio Marinho, em que contracena com Luciana Braga. O texto, que retrata um casal que vive junto há 25 anos, tem como pano de fundo as mudanças políticas do Brasil, da década de 70 até a abertura política.
O papel caiu perfeitamente para ele, profissional sempre ligado e preocupado com a política nacional. Osmar Prado foi um dos artistas que compareceu à posse de Lula. Era um dos mais felizes. “Foi um dia realmente especial. Hoje, continuo gostando do Lula, mas acho que as mudanças estão ocorrendo muito devagar”, pensa. “Imagino como deve ser difícil governar um país como o Brasil, em que ocorrem fatos como o assassinato da freira Dorothy Stang e a eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara dos Deputados”, analisa.
Otimista, ele avalia que ainda não é hora de largar o barco. “Devemos continuar tentando e acreditando. Não é hora de atirar pedra. É hora de ter postura crítica. Mas acho que é possível pelo menos plantarmos a semente de um futuro melhor”, conclui.
Serviço
Delírio Poético e Musical – Espetáculo de música e poesia com o ator Osmar Prado. Hoje, às 21h, e amanhã, às 20h, na Sala Plínio Marcos da Funarte (Eixo Monumental, atrás da Torre de TV). Ingressos a R$ 20 (meia). Mais informações: 226-1132 ou 226-9228.