No Jornal da Manhã de quinta-feira, na Jovem Pan, o especialista em marketing Décio Clemente abordou com a inteligência e sagacidade de sempre o componente merchandising nas novelas do Brasil. Deu como bom exemplo o filme Náufrago, estrelado por Tom Hanks, onde as marcas Sedex e a bola Wilson passaram suas mensagens com extrema habilidade e requinte, muito ao contrário do que costumeiramente assistimos nas produções da Rede Globo. A sutileza de anos atrás deu lugar ao escancaro. Hoje, já não existe mais a preocupação de simplesmente mostrar o produto, entrando como componente de uma determinada cena. Os atores estão sendo transformados em garotos-propaganda e se estendem em explicações e elogios sobre o que ali está sendo vendido, causando certo mal-estar no telespectador. Todos ainda devem lembrar do que aconteceu com Marcos Palmeira em Celebridade, recordista em ações de merchandisings, e a sua inexplicável corrida à beira da praia, sem que isso tivesse qualquer coisa com o rumo da história – apenas para justificar a sua chegada em casa e tomar determinada marca de isotônico. O mesmo aconteceu recentemente com um perfume e os atores Juliana Knust, Bruno Gagliasso e Paulo Vilhena. A coisa está muito explícita. Parabéns, Clemente. Você foi bem.