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Subterrâneos seria cópia de livro

Arquivo Geral

20/11/2003 0h00

Está lançada a primeira polêmica da 36ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O psicólogo e escritor brasiliense Ezio Flavio Bazzo, autor do livro Lênin nos Subterrâneos do Conic, lançado em 1999, ficou estarrecido ao assistir, na noite de terça-feira, à estréia de Subterrâneos, primeiro longa do cineasta José Eduardo Belmonte, que abriu o Festival, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.

“Enquanto assistia ao filme, lembrava de trechos do meu livro. Cheguei em casa e o reli. Contei todas as vezes em que as cenas descritas no livro coincidiam com as cenas do filme. O número é absurdo: 54 pontos, entre cenas, situações e personagens”, desabafa o escritor, que garante não querer nada além do reconhecimento de sua obra.

Depois da tão esperada estréia de Subterrâneos, José Eduardo Belmonte não esconde a felicidade de poder fazer cinema em Brasília. O cineasta confirma que antes de escrever o roteiro de seu primeiro longa leu o livro de Bazzo, mas rejeita a comparação. “Escrevi o roteiro com a ajuda dos atores. Inclusive algumas cenas foram filmadas de improviso, com falas e situações que não estavam previstas. Esse cara (Bazzo) está viajando. Meu filme não é nem uma narrativa”, rebate Belmonte.

O autor, por sua vez, justifica: “Não quero processar o diretor, nem me aproveitar da situação. Só quero que as pessoas entendam minha única inquietação, o problema ético disso tudo”, diz Ezio, que já escreveu 16 livros.

O autor admite que sabia que o diretor estava realizando um filme no Conic, mas não imaginava que seria tão parecido com seu livro. “Soube das gravações, mas fiquei achando que ele acabaria me procurando um dia. Isso não aconteceu”, diz Ezio.

As semelhanças observadas pelo escritor são, dentre outras, o início com a câmera esquizofrênica mostrando os paredões do Conic; a presença forte do sindicalismo; a mulher parada na porta do Cine Ritz; a relação das prostitutas com o sagrado, a Bíblia; os inúmeros diálogos sobre a fé; o protagonista que se encontra com a mulher deprimida; a presença forte de italianos com sotaque.

O diálogo entre o protagonista e o engraxate é um exemplo disso: o garoto pergunta se ele quer graxa e o homem aceita. O garoto faz seu trabalho em absoluto silêncio, quando o que o homem queria era conversar. “Então, por que não fala?”, pergunta ao garoto. “É que estou trabalhando…”. No filme, a cena ocorre da mesma forma. Belmonte garante que nesta e em outras cenas, não havia um roteiro fechado.

O problema maior estaria no fato de o diretor não assumir que seu filme foi inspirado no livro. Tanto que nos créditos de abertura está escrito “filme baseado em conto de Breno Alex”, ninguém menos que o personagem principal do longa, interpretado por Murilo Grossi. “Isso foi apenas uma brincadeira, já que o personagem quer, na trama, escrever um livro”, explica Belmonte que lança o desafio: “Se o autor quiser debater essa polêmica comigo, tudo bem, basta marcar.”

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    Subterrâneos seria cópia de livro

    Arquivo Geral

    20/11/2003 0h00

    Está lançada a primeira polêmica da 36ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O psicólogo e escritor brasiliense Ezio Flavio Bazzo, autor do livro Lênin nos Subterrâneos do Conic, lançado em 1999, ficou estarrecido ao assistir, na noite de terça-feira, à estréia de Subterrâneos, primeiro longa do cineasta José Eduardo Belmonte, que abriu o Festival, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.

    “Enquanto assistia ao filme, lembrava de trechos do meu livro. Cheguei em casa e o reli. Contei todas as vezes em que as cenas descritas no livro coincidiam com as cenas do filme. O número é absurdo: 54 pontos, entre cenas, situações e personagens”, desabafa o escritor, que garante não querer nada além do reconhecimento de sua obra.

    Depois da tão esperada estréia de Subterrâneos, José Eduardo Belmonte não esconde a felicidade de poder fazer cinema em Brasília. O cineasta confirma que antes de escrever o roteiro de seu primeiro longa leu o livro de Bazzo, mas rejeita a comparação. “Escrevi o roteiro com a ajuda dos atores. Inclusive algumas cenas foram filmadas de improviso, com falas e situações que não estavam previstas. Esse cara (Bazzo) está viajando. Meu filme não é nem uma narrativa”, rebate Belmonte.

    O autor, por sua vez, justifica: “Não quero processar o diretor, nem me aproveitar da situação. Só quero que as pessoas entendam minha única inquietação, o problema ético disso tudo”, diz Ezio, que já escreveu 16 livros.

    O autor admite que sabia que o diretor estava realizando um filme no Conic, mas não imaginava que seria tão parecido com seu livro. “Soube das gravações, mas fiquei achando que ele acabaria me procurando um dia. Isso não aconteceu”, diz Ezio.

    As semelhanças observadas pelo escritor são, dentre outras, o início com a câmera esquizofrênica mostrando os paredões do Conic; a presença forte do sindicalismo; a mulher parada na porta do Cine Ritz; a relação das prostitutas com o sagrado, a Bíblia; os inúmeros diálogos sobre a fé; o protagonista que se encontra com a mulher deprimida; a presença forte de italianos com sotaque.

    O diálogo entre o protagonista e o engraxate é um exemplo disso: o garoto pergunta se ele quer graxa e o homem aceita. O garoto faz seu trabalho em absoluto silêncio, quando o que o homem queria era conversar. “Então, por que não fala?”, pergunta ao garoto. “É que estou trabalhando…”. No filme, a cena ocorre da mesma forma. Belmonte garante que nesta e em outras cenas, não havia um roteiro fechado.

    O problema maior estaria no fato de o diretor não assumir que seu filme foi inspirado no livro. Tanto que nos créditos de abertura está escrito “filme baseado em conto de Breno Alex”, ninguém menos que o personagem principal do longa, interpretado por Murilo Grossi. “Isso foi apenas uma brincadeira, já que o personagem quer, na trama, escrever um livro”, explica Belmonte que lança o desafio: “Se o autor quiser debater essa polêmica comigo, tudo bem, basta marcar.”

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