Dois nordestinos que ganham a vida enganando os outros, João Grilo e Chicó são os personagens principais do espetáculo O Auto da Compadecida. A obra de Ariano Suassuna foi adaptada pela Néia e Nando Cia Teatral e será apresentada de hoje a domingo, na Sala Martins Penna.
O Auto da Compadecida é uma crítica às relações entre as classes sociais, uma característica constante nos textos do escritor brasileiro Ariano Suassuna. “É a nossa história, contamos de trás para frente. O espetáculo começa com a morte, eles já no céu, durante o julgamento”, diz a diretora e atriz Néia Paz.
A história se passa na pequena cidade de Taperoá, no sertão da Paraíba. Os malandros João Grilo e Chicó enganam todos da cidade com pequenos golpes para ganhar dinheiro. João Grilo é um sertanejo que sempre entra em grandes confusões. Chicó é um dos homens mais covardes do mundo e tem mania de achar que tudo acabará mal. E, na verdade, ele tem razão.
O cangaceiro Severino e seus homens invadem a cidade, João Grilo morre e vai parar numa espécie de tribunal celestial. Lá, a acusação é feita pelo diabo e o juiz é Jesus. Apesar de tudo parecer perdido, João Grilo tem uma brilhante idéia que deverá salvar sua pele e os habitantes que ele enganou em vida. “Não é só uma comédia, é uma realidade. Muita gente mente para ter algo mais e acaba sem nada. Com a morte, fica tudo para trás. Mostramos que é preciso ser otimista”, conclui Néia.