O momento não poderia ser mais oportuno. A Editora Nova Fronteira colocou no mercado brasileiro Stalin: Triunfo e Tragédia, a biografia definitiva do mais importante tirano e líder soviético. O primeiro volume saiu em setembro e o segundo chega em outubro. A obra tem como principal referência o fato de ter sido escrita por um militar russo, portanto alguém de alguma forma ligado ao ditador que perseguiu, mandou matar, escravizou, censurou e aterrorizou russos e vizinhos entre 1924 e 1953. É uma leitura obrigatória para quem acha que os assessores do presidente Lula têm razão em querer censurar a imprensa e a cultura no Brasil.
Stalin mostra as ações de um ídolo comunista – que é uma espécie de Buda dos pensamentos de alguns graduados palacianos – cujas “virtudes” são seguidas por parte dos séquitos do Presidente da República. Outra parte é defensora das dinastias comunistas chinesas. Portanto, trata-se de um livro que esclarece bem o que vem a ser “controle da imprensa e da produção cultural”.
Big brotherStalin foi o mais centralizador dos governantes soviéticos, no período em que as forças proletárias da revolução encabeçada por ele e Lenin se opuseram bravamente ao liberalismo expansionista norte-americano, na primeira metade do século 20 e no pós-guerra, quando a segurança mundial se balizou pelo Muro da Vergonha, em Berlim e sob a proteção das bombas atômicas.
A força de Stalin foi tão grande nos anos 40 e 50, que um comunista notório da inglaterra, o ex-militar, desertor e mendigo Eric Arthur Blair, conhecido mundialmente como George Orwell (1903-1950), escreveu dois livros sobre sua atuação à frente do governo russo: A Revolução dos Bichos (1945), onde coloca Stalin na condição de um porco; e 1984 (1948), quando mostra ao mundo, por meio do Big Brother, como a patrulha soviética controlava a população, seus desejos, anseios e dizia claramente como deveria ser a postura política de cada um. George Orwell fez isso após se decepcionar com o comunismo.
Este livro é um estudo competente e bem documentado sobre Stalin e sua época. Antes dele, a maioria das revelações sobre o ditador russo surgiam por meio de pesquissas de jornalistas e escritores, mas não por historiadores profissionais.
Homem de AçoStalin: Triunfo e Tragédia , de Dmitri Volkogonov (1928-1995), é escrito por um russo e não por um sovietólogo estrangeiro. O militar russo que escreveu essa história não é notoriamente um inimigo político, mas perdeu o pai nas perseguições ordenadas por Stalin e foi exilado na Sibéria com o restante de sua família. Volkogonov abriu o baú de uma história guardada por 70 anos, usando sua influência e o acesso aos documentos que mostram um regime em que tudo o que era verdade era secreto, guardado e escondido.
A história de Stalin começa em suas andanças durante a vitoriosa rebelião comunista de 1917, revelando como uma infância áspera e triste e uma juventude de perseguição deram ao revolucionário seus traços morais mais marcantes até o fim da sua vida: frieza e desconfiança.
O primeiro volume mostra Stalin do nascimento, em 1879 até o embrutecimento do regime soviético, em 1939. O famosos ditador russo nasceu como Iosef Vissarionovich Djugashvili, mas mudou seu nome para Stalin (que quer dizer Homem de Aço, em russo). Assim, ele assumiu o governo russo e perseguiu seus colegas de partido, como Trotsky – assassinado no exílio mexicano –, fuzilou inimigos e modificou fatos e fotos pelo bem do regime, até sua morte, em 1953.