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Sopros de vida

Arquivo Geral

14/11/2005 0h00

Quatro dias seguidos de encontros com o arquiteto Oscar Niemeyer deixaram várias fitas e uma boa história nas mãos do cineasta Fabiano Maciel. O resultado pode ser visto no longa-metragem Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro. Escolhido para abrir o 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no próximo dia 22, o documentário conta a vida e a obra do arquiteto e dedica um terço do filme a explicar, com detalhes, os monumentos da capital federal.

A idéia de fazer o filme começou quando Fabiano trabalhava na TVE, no Rio, e foi cobrir um série de palestras na Fundação Oscar Niemeyer. A partir daí, ele e o produtor Sérgio Celeste (Sacha) resolveram fazer um documentário. “Em 1998, fiz uma pauta com cerca de 300 perguntas e durante quatro dias consecutivos encontrei com Oscar, no Rio”, lembra. Depois disso, anualmente Maciel se encontrava com o arquiteto, para atualizar o material. As filmagens foram feitas no ano passado e o documentário foi finalizado há apenas um mês.

Durante uma hora e meia, o próprio Niemeyer conta – de maneira descontraída e carinhosa – como foram concebidos seus principais projetos. O tempo para criá-los, as circunstâncias de trabalho e as dificuldades. “É como se a história dele fosse contando um pouco da história do Brasil no século 20”, afirma o diretor.

alma própriaNo Brasil, o documentário foi filmado em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Niterói, desde a pressão em fazer o projeto da Pampulha, em BH, até a construção de Brasília. Niemeyer é um dos responsáveis por dar à arquitetura moderna brasileira uma alma própria, inspirada na geografia do País – e que acabou por influenciar arquitetos no mundo inteiro. “Ele tem uma importância que não precisa ser resgatada, está ai, nas ruas de muitas cidades do País e do mundo”, avalia o cineasta.

No exterior, obras na França, Estados Unidos, Itália e Argélia são explicadas no filme. “Ele conta como fez, o que fez e por que daquela maneira”, adianta. Entre os principais trabalhos em terras estrangeiras estão a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e da Editora Mondadori, em Milão. Niemeyer também faz uma apaixonada defesa da “invenção e da criatividade”, importante nos tempos em que o Brasil resolveu copiar Miami.

Em Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro, as obras gravadas nas sete cidades brasileiras e nos quatro países são costuradas com imagens de arquivo inéditas, explicações do arquiteto e depoimentos de personalidades como os escritores José Saramago, Nelson Pereira dos Santos, Eduardo Galeano, Carlos Heitor Cony e Ferreira Gullar, o cantor e compositor Chico Buarque, o historiador inglês Eric Hobsbawm e o ex-presidente de Portugal Mario Soares.

brasíliaAos 98 anos, Oscar Niemeyer é um dos primeiros nomes a serem lembrados quando se fala de Brasília. São dele os principais projetos da cidade. “A construção de Brasília leva 25 minutos do documentário; é um capítulo à parte”, define Maciel. No filme, acompanhado de um quadro e um pincel – e de forma bem didática –, o arquiteto desenha e explica os monumentos da capital federal.

“Brasília foi uma aventura, cheia de problemas e desencontros, desconforto… a gente mal-alojado. Mas havia determinação do JK, e a coisa prosseguiu (…) A vida é chorar e rir a vida inteira. Aproveitar os momentos de tranqüilidade e brincar um pouco. Depois, os outros é agüentar. A vida é um sopro, né?”, diz o arquiteto, no filme – no qual ele lembra encontros com o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o comunista Luís Carlos Prestes, os encontros com Lúcio Costa e a primeira visita ao espaço onde surgiria a nova capital.

Para Maciel, o mais interessante é lançar um filme sobre o principal arquiteto de Brasília no festival de cinema. “É uma grande responsabilidade e espero que o pessoal goste. O público estará familiarizado com as imagens”, diz o documentarista.

Nascido em Porto Alegre, mas morando no Rio de Janeiro há 20 anos, Fabiano Maciel começou a carreira de documentarista há dez, e este é o seu quarto longa-metragem. Os anteriores são Moçambique (1997), Vaidade (2003) e Carrapateira não tem Mais Ciúmes de Apolo 11 (2003).

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    14/11/2005 0h00

    Quatro dias seguidos de encontros com o arquiteto Oscar Niemeyer deixaram várias fitas e uma boa história nas mãos do cineasta Fabiano Maciel. O resultado pode ser visto no longa-metragem Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro. Escolhido para abrir o 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no próximo dia 22, o documentário conta a vida e a obra do arquiteto e dedica um terço do filme a explicar, com detalhes, os monumentos da capital federal.

    A idéia de fazer o filme começou quando Fabiano trabalhava na TVE, no Rio, e foi cobrir um série de palestras na Fundação Oscar Niemeyer. A partir daí, ele e o produtor Sérgio Celeste (Sacha) resolveram fazer um documentário. “Em 1998, fiz uma pauta com cerca de 300 perguntas e durante quatro dias consecutivos encontrei com Oscar, no Rio”, lembra. Depois disso, anualmente Maciel se encontrava com o arquiteto, para atualizar o material. As filmagens foram feitas no ano passado e o documentário foi finalizado há apenas um mês.

    Durante uma hora e meia, o próprio Niemeyer conta – de maneira descontraída e carinhosa – como foram concebidos seus principais projetos. O tempo para criá-los, as circunstâncias de trabalho e as dificuldades. “É como se a história dele fosse contando um pouco da história do Brasil no século 20”, afirma o diretor.

    alma própriaNo Brasil, o documentário foi filmado em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Niterói, desde a pressão em fazer o projeto da Pampulha, em BH, até a construção de Brasília. Niemeyer é um dos responsáveis por dar à arquitetura moderna brasileira uma alma própria, inspirada na geografia do País – e que acabou por influenciar arquitetos no mundo inteiro. “Ele tem uma importância que não precisa ser resgatada, está ai, nas ruas de muitas cidades do País e do mundo”, avalia o cineasta.

    No exterior, obras na França, Estados Unidos, Itália e Argélia são explicadas no filme. “Ele conta como fez, o que fez e por que daquela maneira”, adianta. Entre os principais trabalhos em terras estrangeiras estão a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e da Editora Mondadori, em Milão. Niemeyer também faz uma apaixonada defesa da “invenção e da criatividade”, importante nos tempos em que o Brasil resolveu copiar Miami.

    Em Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro, as obras gravadas nas sete cidades brasileiras e nos quatro países são costuradas com imagens de arquivo inéditas, explicações do arquiteto e depoimentos de personalidades como os escritores José Saramago, Nelson Pereira dos Santos, Eduardo Galeano, Carlos Heitor Cony e Ferreira Gullar, o cantor e compositor Chico Buarque, o historiador inglês Eric Hobsbawm e o ex-presidente de Portugal Mario Soares.

    brasíliaAos 98 anos, Oscar Niemeyer é um dos primeiros nomes a serem lembrados quando se fala de Brasília. São dele os principais projetos da cidade. “A construção de Brasília leva 25 minutos do documentário; é um capítulo à parte”, define Maciel. No filme, acompanhado de um quadro e um pincel – e de forma bem didática –, o arquiteto desenha e explica os monumentos da capital federal.

    “Brasília foi uma aventura, cheia de problemas e desencontros, desconforto… a gente mal-alojado. Mas havia determinação do JK, e a coisa prosseguiu (…) A vida é chorar e rir a vida inteira. Aproveitar os momentos de tranqüilidade e brincar um pouco. Depois, os outros é agüentar. A vida é um sopro, né?”, diz o arquiteto, no filme – no qual ele lembra encontros com o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o comunista Luís Carlos Prestes, os encontros com Lúcio Costa e a primeira visita ao espaço onde surgiria a nova capital.

    Para Maciel, o mais interessante é lançar um filme sobre o principal arquiteto de Brasília no festival de cinema. “É uma grande responsabilidade e espero que o pessoal goste. O público estará familiarizado com as imagens”, diz o documentarista.

    Nascido em Porto Alegre, mas morando no Rio de Janeiro há 20 anos, Fabiano Maciel começou a carreira de documentarista há dez, e este é o seu quarto longa-metragem. Os anteriores são Moçambique (1997), Vaidade (2003) e Carrapateira não tem Mais Ciúmes de Apolo 11 (2003).

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