A música indígena e a música clássica se encontram nos palcos de Brasília. O espetáculo Ponte entre Povos, criado em Macapá (AP), será apresentado hoje, às 20h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro, e traz a música feita pelos índios misturada à erudita.
O projeto foi criado em 2001, pela cantora e compositora Marlui Miranda, com o objetivo de resgatar sons ancestrais e uni-los à música clássica. Os índios foram convidados para dar aulas aos alunos da cidade e a parceria deu origem ao projeto.
“É a maneira de incluir os índios no cenário musical do País, para que as pessoas os vejam como artistas. É uma música riquíssima”, explica Marlui.
Depois de ser apresentado em São Paulo, o projeto chega a Brasília trazendo 45 integrantes, sendo 19 índios de cinco etnias: Wayana, Apalai, Katxuyana, Tiriyó (habitantes do Parque Indígena do Tumucumaque) e Palikur (Oiapoque, na divisa com a Guiana Francesa), que se unem a músicos da Escola de Música Walkíria Lima, de Macapá, e da Orquestra de Camerata Atheneum, de São Paulo.
Sob regência de Lucian Rogulski, o grupo apresenta um repertório com as obras Pequena Serenata, de Mozart, e Aída (Marcha Triunfal), de Verdi.
Os instrumentos da orquestra se misturam aos criados pelos indígenas, como o purupuruweny (feito com casca de tartaruga e cera de abelha), lueime (uma espécie de flauta) e tures (conjunto de oito flautas). “É um diálogo musical entre esses instrumentos”, avalia Marlui.
O projeto contribui para a inclusão, valorização e difusão da música dos povos indígenas do Amapá. Em janeiro de 2005, foi lançado um livro com os aspectos culturais dos índios e três CDs. O conjunto será vendido no teatro por R$ 50. Amanhã, será apresentada uma versão compacta do espetáculo, às 11h, na Chapelaria do Congresso Nacional, com o Coral do Senado.