Mais cultuado do que propriamente conhecido, o compositor, cantor, violonista e, sobretudo, percussionista maranhense Papete encerra, hoje, na Sala Funarte Cássia Eller, a curta temporada de shows que apresenta desde ontem, intitulada Tambor de Mina. Músico influente no Maranhão, Papete é especialista nos ritmos populares do bumba-meu-boi e tambor de crioula, além de ter sido uma das principais figuras da música maranhense nos anos 70, e de ter exercido por mais de dez anos o papel de escudeiro de Toquinho.
Autodidata, começou como cantor na Rádio Gurupi, em São Luís MA, na qual se apresentou de 1960 a 1967, ano em que compôs sua primeira música, O Bonde, que não foi gravada. Atuando como percussionista e violonista, em 1969 teve pela primeira vez uma composição sua colocada em disco, Eu Morro Se Perder Você, interpretada por Wanderley Cardoso.
Depois de ter começado a se apresentar na boate Jogral, de São Paulo em 1970, acompanhou Toquinho, Rosinha de Valença, Marília Medalha, Hermeto Pascoal e Vinícius de Morais. Foi ainda baterista de Tom Jobim, César Camargo Mariano, Chico Buarque e Rita Lee. Nos anos 80, voltou sua carreira para o interior, quando virou parceiro constante de Almir Sater.
Como compositor, Papete criou belos temas folclóricos – com influências de suas pesquisas afro-indígenas – como Boi da Lua, Quintal de Crioula, Orvalho da Campina e tantos outros. Nos passados 15 anos, Papete esteve meio sumido dos palcos brasileiros. Fez mais de mil shows no exterior e, de volta ao Brasil, concluiu as pesquisas que o levaram ao projeto-título do espetáculo de hoje, Tambor de Mina