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Sono limitado começa na infância

Arquivo Geral

10/06/2004 0h00

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela Fundação Nacional do Sono constatou que as crianças e os adolescentes estão dormindo cada vez menos. O estudo foi concluído em março deste ano e aponta, pela primeira vez, os hábitos de sono das crianças. Os números mostram que os pequenos estão dormindo menos do que o mínimo recomendado pelos especialistas.

De acordo com a pesquisa, dos três aos 11 meses, as crianças estão dormindo cerca de 12,7 horas; de um a dois anos e 11 meses dormem, em média, 11,7 horas; dos três aos seis anos, a média cai pra 10,4 horas; dos seis aos dez anos, as crianças dormem cerca de nove horas e meia.

A redução no tempo de sono provocou problemas freqüentes em dois terços das crianças pesquisadas. Os mais comuns são dificuldade de adormecer, sonambulismo, ronco e problemas respiratórios.

AdolescentesA maioria dos adolescentes é vítima hoje da chamada privação crônica do sono, relacionada a comportamentos que vão de irritação e baixo rendimento escolar à busca, durante o dia, por estimulantes, como nicotina, ou, durante a noite, por relaxantes, como álcool. A pesquisa da Fundação Nacional do Sono dos EUA constatou que apenas 15% dos jovens de 13 a 18 anos dormem o número mínimo de horas necessárias: oito horas e meia nos dias letivos.

No Brasil, segundo os especialistas, a situação é semelhante. E mais: a privação crônica de sono dos adolescentes está se tornando um problema de saúde pública por causa dos efeitos fisiológicos, psicossociais e psiquiátricos, diz Geraldo Rizzo, presidente da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica.

O problema também afeta as crianças, mas o quadro se agrava na puberdade, com a entrada da chamada pressão social: computador, baladas, telefone e os novos relacionamentos afetivos, entre outros.

Alterações O ritmo biológico de dormir e acordar é uma adaptação do organismo ao fenômeno físico mais previsível que existe, o ciclo dia-noite. Esse ritmo é acompanhado por alterações fisiológicas, entre as quais os picos hormonais e a variação da temperatura interna do corpo. Antes do amanhecer, por exemplo, há um aumento da secreção do hormônio cortisol, que prepara o organismo para a atividade.

Ao escurecer, aumenta a secreção de melatonina, que prepara para o sono. Quando a pessoa acorda, a temperatura interna do corpo começa a subir e atinge o valor máximo no final da tarde. Depois, começa a cair e chega ao valor mínimo no meio da noite.

Na puberdade, esse mecanismo sofre um atraso, o que faz do adolescente um ser biologicamente programado para dormir e acordar mais tarde. Na maior parte da manhã, seu cérebro não está em estado de vigília. Mesmo os jovens que dormem o suficiente (em média, nove horas por noite) tendem a ficar sonolentos até o meio da manhã e absolutamente alertas a partir do meio da tarde.

IncapacidadeO estudante André Funaro Mortara, 16 anos, por exemplo, apesar de dormir de sete e meia a oito horas por dia, o que não é uma média ideal, mas superior à da maioria dos seus colegas, passa a primeira aula meio “sonado”. Se vai dormir mais tarde, sente o baque: dores no corpo, incapacidade de se concentrar e falta de vontade de conversar com qualquer um. “Até para falar do jogo do Palmeiras”, brinca.

Mortara, que dorme às 23h e acorda às 6h30, pode estar perdendo cerca de uma hora e meia de sono por dia, o que, de segunda a sexta, dá quase uma noite inteira a menos de sono. “Sabemos muito pouco sobre as necessidades de sono”, diz sua mãe, Mônica Funaro Mortara.

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    10/06/2004 0h00

    Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela Fundação Nacional do Sono constatou que as crianças e os adolescentes estão dormindo cada vez menos. O estudo foi concluído em março deste ano e aponta, pela primeira vez, os hábitos de sono das crianças. Os números mostram que os pequenos estão dormindo menos do que o mínimo recomendado pelos especialistas.

    De acordo com a pesquisa, dos três aos 11 meses, as crianças estão dormindo cerca de 12,7 horas; de um a dois anos e 11 meses dormem, em média, 11,7 horas; dos três aos seis anos, a média cai pra 10,4 horas; dos seis aos dez anos, as crianças dormem cerca de nove horas e meia.

    A redução no tempo de sono provocou problemas freqüentes em dois terços das crianças pesquisadas. Os mais comuns são dificuldade de adormecer, sonambulismo, ronco e problemas respiratórios.

    AdolescentesA maioria dos adolescentes é vítima hoje da chamada privação crônica do sono, relacionada a comportamentos que vão de irritação e baixo rendimento escolar à busca, durante o dia, por estimulantes, como nicotina, ou, durante a noite, por relaxantes, como álcool. A pesquisa da Fundação Nacional do Sono dos EUA constatou que apenas 15% dos jovens de 13 a 18 anos dormem o número mínimo de horas necessárias: oito horas e meia nos dias letivos.

    No Brasil, segundo os especialistas, a situação é semelhante. E mais: a privação crônica de sono dos adolescentes está se tornando um problema de saúde pública por causa dos efeitos fisiológicos, psicossociais e psiquiátricos, diz Geraldo Rizzo, presidente da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica.

    O problema também afeta as crianças, mas o quadro se agrava na puberdade, com a entrada da chamada pressão social: computador, baladas, telefone e os novos relacionamentos afetivos, entre outros.

    Alterações O ritmo biológico de dormir e acordar é uma adaptação do organismo ao fenômeno físico mais previsível que existe, o ciclo dia-noite. Esse ritmo é acompanhado por alterações fisiológicas, entre as quais os picos hormonais e a variação da temperatura interna do corpo. Antes do amanhecer, por exemplo, há um aumento da secreção do hormônio cortisol, que prepara o organismo para a atividade.

    Ao escurecer, aumenta a secreção de melatonina, que prepara para o sono. Quando a pessoa acorda, a temperatura interna do corpo começa a subir e atinge o valor máximo no final da tarde. Depois, começa a cair e chega ao valor mínimo no meio da noite.

    Na puberdade, esse mecanismo sofre um atraso, o que faz do adolescente um ser biologicamente programado para dormir e acordar mais tarde. Na maior parte da manhã, seu cérebro não está em estado de vigília. Mesmo os jovens que dormem o suficiente (em média, nove horas por noite) tendem a ficar sonolentos até o meio da manhã e absolutamente alertas a partir do meio da tarde.

    IncapacidadeO estudante André Funaro Mortara, 16 anos, por exemplo, apesar de dormir de sete e meia a oito horas por dia, o que não é uma média ideal, mas superior à da maioria dos seus colegas, passa a primeira aula meio “sonado”. Se vai dormir mais tarde, sente o baque: dores no corpo, incapacidade de se concentrar e falta de vontade de conversar com qualquer um. “Até para falar do jogo do Palmeiras”, brinca.

    Mortara, que dorme às 23h e acorda às 6h30, pode estar perdendo cerca de uma hora e meia de sono por dia, o que, de segunda a sexta, dá quase uma noite inteira a menos de sono. “Sabemos muito pouco sobre as necessidades de sono”, diz sua mãe, Mônica Funaro Mortara.

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