Quem apela assumidamente para o romantismo é Waguinho, outro remanescente de uma banda de sucesso, Os Morenos. Ele está lançando o seu quarto CD solo Meu Coração é Teu, o primeiro ao vivo da carreira. O artista , que está enveredando também no campo minado da televisão como apresentador de um programa, exibido somente no Rio de Janeiro pela Record, faz daquele registro fonográfico um acerto de contas com sua trajetória de 20 anos. O disco gravado ao vivo conta com uma platéia cumplice dessa longa estrada trilhada pelo carismático cantor. Principalmente nos sucessos como Mina de Fé, Coração Desertoe a animada dobradinha Olho Grande/Tá a fim de Sambar. Com um pé no pagode de raiz e outro na música romântica, o artista pega na veia do coração, prometendo fidelidade, como em Um Só Coração, música de trabalho do disco, onde afirma que “com duas não faz sentido” ou mesmo lamentando o amor perdido como na inédita Saudade tá Batendo. A fórmula coração partido/declaração de amor ganha, nas músicas, um arranjo cadenciado, para dançar juntinho ou ciscar só no sapatinho, assinado pelo experiente maestro Jota Moraes. A reverência dos fãs contribui para tornar Meu Coração é Teu ao Vivouma trilha sonora perfeita para quem gosta de pagode romântico e conversas ao pé do ouvido. O mais novo da turma, estreiando em CD solo, é Rodriguinho, que ficou conhecido como vocalista do grupo Os Travessos. Ele está partindo para uma carreira individual acreditando na força do amor e do milagre que este pode fazer, principalmente na hora de conquistar mais fãs. Com direção artística do recém-falecido produtor Tom Capone, um dos mais talentosos e criativos que o País já teve, o disco homônimo faz um up grade do romantismo praticado pelo grupo ao qual Rosdriguinho participava. A relação amorosa de É Covardia e Não é sempre, música de trabalho do CD, é deixada um pouco de lado em incursões mais roqueiras, como na autobiográfica Eu, onde o compositor assume: “Sou do samba, do pagode, mas gosto de rock também/hip-hop tá no meu sangue, não pago pau pra ninguém”. A levada hip-hop faz daquela música uma estranho no ninho no disco. Mas, pelo visto, Rodriguinho está podendo. Este é um aceno para público e crítica, de que ele pode ser mais versátil do que muitos imaginam. Mas, para os fãs mais próximos que estão se lixando para esse tipo de auto-afirmação, o que vale é saber se o artista vai continuar cantando o amor.