O ano é 1985. O advogado ultradireitista Roy Cohn – que sempre escondeu ser homossexual e que trabalhava para o senador Joseph McCarthy, promotor da caça aos comunistas nos anos 50 – descobre que tem Aids. Na mesma época, também em Nova York, um ex-drag queen, amante de um judeu, começa a sentir os efeitos da doença. Entre alucinações, tentativas de redenção, descidas ao inferno e muitos momentos de esperança, a minissérie Angels in America, que estréia hoje no canal HBO (TVA), às 21h, e será exibida em duas partes, arrebatou todos os globos de ouro a que concorreu no ano passado. Inclusive melhor ator para Al Pacino, que faz o advogado. “O Roy tinha uma péssima reputação. Ele simbolizava tudo o que as pessoas passaram de ruim nos anos 50”, contou Al Pacino na entrevista de estréia da minissérie nos Estados Unidos.
Baseado no musical da Broadway de Tony Kushner, que levou também o Tony e o Pullitzer, Angels in America foi adaptado para a TV pelo diretor Mike Nichols (o mesmo de Quem Tem Medo de Virginia Woolf). “Tive a idéia de fazer a peça em meados dos anos 80, que foram bem obscuros. Ronald Reagan tinha sido reeleito presidente dos Estados Unidos e vários amigos estavam morrendo por causa da Aids”, explicou Kushner, no lançamento.
O tema é dramático, mas a minissérie não cai no chororô. Pelo contrário. A maioria dos personagens tem um tom sarcástico. Como Prior Walter (Justin Kirk), que é abandonado pelo amante judeu, Louis (Ben Shenkman), mas não perde a linha. Durante seu tratamento, tem visões, como a de um anjo mensageiro, feito por Emma Thompson, ou sonhos estranhos, em que encontra a dona de casa Harper (Mary-Louise Parker), que tenta fugir de sua realidade tomando altas dose de tranqüilizantes. O problema de Harper é que ela sabe que o marido Joe (Patrick Wilson) é homossexual. Só que ele não tem coragem de assumir e sofre com as pressões da mãe, Hannah, vivida por Meryl Streep, que também faz outros personagens, como um velho rabino. “Um dos temas principais de Angels é o significado da vida e os laços humanos que atravessam diferentes classes. É uma obra muito ambiciosa”, explica Meryl. Vale conferir.