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Sob o signo do caos

Arquivo Geral

19/11/2003 0h00

Hoje será dada a largada rumo ao Troféu Candango do 36° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. No Cine Brasília, a partir das 20h30, serão exibidas as três primeiras produções da mostra competitiva em 35 milímetros. Abrem a disputa o 16° longa-metragem do veterano cineasta Rogério Sganzerla, O Signo do Caos, e os curtas-metragens A História da Eternidade, do pernambucano Camilo Cavalcante, e Onde Quer Que Você Esteja, dos paulistas Bel Bechara e Sandro Serpa (leia mais na página 4).

Apesar de conseguir finalizar o filme em meio a uma grave enfermidade (um câncer no cérebro), Rogério Sganzerla ainda parece aquele mesmo garoto que, aos 23 anos, resolveu dar o primeiro grito do cinema independente, de volta aos anos 60. Nessa época “fundou”, ainda que extra-oficialmente, o que se tranformou no cinema marginal, com sua obra-prima, O Bandido da Luz Vermelha.

Depois de ser ovacionado em sua sessão de estréia no Rio de Janeiro, em setembro, O Signo do Caos chega ao festival de Brasília desacompanhado de seu realizador. Devido ao tratamento do câncer, Sganzerla não vem a Brasília. Em seu lugar, porém, uma testemunha viva do Cinema Novo e das viagens intelectuais de Sganzerla representa a equipe do filme, a atriz e produtora Helena Ignez.

A produtora e atriz da maior parte da filmografia do cineasta (inclusive de O Signo do Caos), Helena Ignez, diz que Sganzerla apresenta o novo filme com a mesma audácia do jovem e inovador diretor do genial O Bandido… “Ele tem um compromisso consigo mesmo. É um autor de identidade própria. Como (Jean-Luc) Godard, não está nem aí para os modismos”, narra Helena, que trabalhou no elenco e na produção do primeiro filme de Glauber Rocha, O Pátio.

O filme, segundo a produtora, faz uma fusão de duas narrativas, marcadas pela distinção na colorização do filme (ora a cores, ora em preto-e-branco) – adereço fruto da influência do cineasta norte-americano Orson Welles (de Cidadão Kane) na obra de Sganzerla, que dedicou o longa-metragem Nem Tudo é Verdade à viagem do diretor ao Brasil. “Até a própria trama se remete a um tempo em que os filmes de Welles eram caracterizados assim”, adianta a produtora.

A primeira parte de O Signo do Caos é em P&B. Nesse momento, o carrancudo Dr. Amnésio, diretor de uma alfândega perde todo o material cinematográfico que chega ao País. Em seguida, em cores vivas, Sganzerla coloca o foco na bailarina mulata O Furacão de Santos (papel de Camila Pitanga). Ela apresenta um número musical inspirado em samba, cachaça e futebol, numa festa em que se comemora a vitória do esquecimento e onde todos dançam ao som de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.

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    Apesar de conseguir finalizar o filme em meio a uma grave enfermidade (um câncer no cérebro), Rogério Sganzerla ainda parece aquele mesmo garoto que, aos 23 anos, resolveu dar o primeiro grito do cinema independente, de volta aos anos 60. Nessa época “fundou”, ainda que extra-oficialmente, o que se tranformou no cinema marginal, com sua obra-prima, O Bandido da Luz Vermelha.

    Depois de ser ovacionado em sua sessão de estréia no Rio de Janeiro, em setembro, O Signo do Caos chega ao festival de Brasília desacompanhado de seu realizador. Devido ao tratamento do câncer, Sganzerla não vem a Brasília. Em seu lugar, porém, uma testemunha viva do Cinema Novo e das viagens intelectuais de Sganzerla representa a equipe do filme, a atriz e produtora Helena Ignez.

    A produtora e atriz da maior parte da filmografia do cineasta (inclusive de O Signo do Caos), Helena Ignez, diz que Sganzerla apresenta o novo filme com a mesma audácia do jovem e inovador diretor do genial O Bandido… “Ele tem um compromisso consigo mesmo. É um autor de identidade própria. Como (Jean-Luc) Godard, não está nem aí para os modismos”, narra Helena, que trabalhou no elenco e na produção do primeiro filme de Glauber Rocha, O Pátio.

    O filme, segundo a produtora, faz uma fusão de duas narrativas, marcadas pela distinção na colorização do filme (ora a cores, ora em preto-e-branco) – adereço fruto da influência do cineasta norte-americano Orson Welles (de Cidadão Kane) na obra de Sganzerla, que dedicou o longa-metragem Nem Tudo é Verdade à viagem do diretor ao Brasil. “Até a própria trama se remete a um tempo em que os filmes de Welles eram caracterizados assim”, adianta a produtora.

    A primeira parte de O Signo do Caos é em P&B. Nesse momento, o carrancudo Dr. Amnésio, diretor de uma alfândega perde todo o material cinematográfico que chega ao País. Em seguida, em cores vivas, Sganzerla coloca o foco na bailarina mulata O Furacão de Santos (papel de Camila Pitanga). Ela apresenta um número musical inspirado em samba, cachaça e futebol, numa festa em que se comemora a vitória do esquecimento e onde todos dançam ao som de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.

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