Até na arte de encher lingüiça certas produções estão inovando. Não faz muito tempo, em função de uma série de problemas, ocasionados por atraso na entrega de capítulos, a Globo foi obrigada a escalar tuiuiús e muita paisagem em uma história de Benedito Ruy Barbosa. Não teve outro jeito, e o telespectador, claro, pagou a conta. O fato voltaria a se repetir, na traumática Esperança, também de Barbosa. Com Glória Perez, em O Clone, dançarinas apareciam em quase todos os capítulos. Um show! Como o ibope não caiu, a dança do ventre correu solta, dando tempo para a autora colocar o roteiro no trilho. Em Da Cor do Pecado, aquela praia não aparece por acaso. Já em Celebridade, Gilberto Braga usa e abusa do Espaço Fama e do Sobradinho. Ele escala um pagodeiro, um artista da MPB e economiza uma barbaridade no desenvolvimento dos capítulos. Tudo bem. Porém seria oportuno dar espaço também para profissionais que não estão na trilha sonora da novela! O negócio ficaria mais democrático.