Entre canjas nos shows de Leoni e Ultraje a Rigor, aos poucos, o roqueiro Leo Jaime retorna à cena musical. O artista – para quem não o conhece, ou não se lembra – é responsável pelos sucessos do rock engraçadinho da década de 80, a maioria do disco Sessão da Tarde. Seus principais hits são Conquistador Barato, Rock da Cachorra, As Sete Vampiras, O Pobre e A Fórmula do Amor.
Ao lado de Tavinho Paes, foi o autor pop mais censurado no mesmo período, cujos destaques são Johnny Pirou – versão de Johnny B. Good, gravada por Ney Matogrosso – e Solange, feita com Leoni e que criticava abertamente a chefe do Departamento Nacional de Censura, em 1984/5 –, além de Sônia, hit de seu primeiro álbum, cujo título, Phodas C (1984), também fora censurado, à época. Ele também foi fundador do grupo carioca João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, para quem escreveu a hilária versão Telma Eu Não Sou Gay, imortalizada por Ney Matogrosso no disco Homem com H.
Leo tentava gravar um novo disco, um trabalho que seria lançado pela Abril Music, mas teve de abandonar o projeto devido à falência da gravadora, no primeiro semestre deste ano. Seu último álbum fora Todo Amor, de 1995.
Roqueiro, cronista esportivo, jornalista, dançarino, ator e dramaturgo (“entre outras coisas”, como costuma dizer), Leo mata a saudade dos fãs oitentistas hoje, às 22h, no Restaurante Carpe Diem Mediterrâneo, no Pier 21, com novas canções e suas memoráveis crônicas musicais.
“Vou montar o repertório do show na hora. Toco de acordo com a temperatura da platéia”, avisa o músico. Segundo ele, entre os antigos sucessos, o público poderá conhecer suas composições que entrariam no CD interrompido.
Em entrevista ao Jornal de Brasília, Leo Jaime assume uma posição de crítico quando o assunto é futebol ou indústria fonográfica.
Além disso, fala sobre a cena do pop rock brasileiro e do teatro, ramo artístico no qual seus pés se firmaram durante os anos 90 e cuja estréia se deu no final dos anos 70, em Brasília, na peça Os Saltimbancos. Depois da apresentação na cidade, Leo corre de volta a São Paulo para a temporada de sua montagem cênica Na Medida do Possível.