É a velha discussão de sempre: até que ponto as programações das emissoras de televisão têm contribuído com toda essa violência que hoje toma conta das principais cidades do nosso país? Ou ainda: a auto-regulamentação das programações pode ser a solução do problema? Honestamente, são perguntas que permitem muitas e discordantes respostas. Ninguém tem certeza de nada. Culpar a televisão, e tão-somente ela, como causadora de todo esse estrago, é no mínimo a forma mais simples de encarar o problema. Não é por aí. Existem outros fatores em nossa sociedade, escancarados aos nossos olhos, que não podem ser desprezados e atacados com a merecida atenção. De qualquer maneira, televisão é a parte que nos toca. Na verdade, sempre houve, em todos os tempos, essa preocupação em relacionar a tevê com violência. Sempre foi assim. Anos atrás, isso já era intensamente debatido e motivo de muita briga, por causa dos filmes de bangue-bangue e o risco que representavam para os jovens de então, expostos a se transformarem nos “mocinhos” e “bandidos” daquela época. Comparados aos programas de agora ou aos policiais dos finais de tarde, com seus raivosos e espumantes apresentadores, aquilo era uma aula de catecismo. Este é um problema que diz respeito a todos nós. A responsabilidade é nossa. Cobrar qualidade das programações das tevês não é uma obrigação do Governo, Ministério da Justiça ou quem quer que seja. Cabe diretamente ao público ou ao controle remoto de cada um essa função. É o meio legal, mais justo e democrático. O que não presta deve ser jogado no lixo.