A pimenta, quem diria, um condimento tão corriqueiro nas cozinhas de países tão diversos como o Brasil e a Coréia, é dona de uma incrível história que passa pelas grandes navegações e percorre a ciência agronômica. Isso, sem citar seus variados usos, tanto na culinária, quanto em processos de cura.
É essa fascinante história, deste singular ingrediente, que Nelusko Linguanotto Neto, mais conhecido como Nelo, conta nas 163 páginas do Dicionário Gastronômico de Pimentas e suas Receitas (Bocatto Editores). Desde jovem, Nelusko circula pelo universo das ervas e especiarias, em um negócio e uma paixão aos quais sua família se dedica há gerações. Conhecedor profundo das pimentas, atualmente está à frente da Bombay Food Services, uma empresa de distribuição de alimentos.
O livro é, na verdade, uma obra de arte, daquelas que se guarda em um armário da cozinha, longe da gordura do dia-a-dia. Em papel couchê, a edição traz 140 fotos e é o segundo da série de dicionários gastronômicos da Bocatto, iniciada com Ervas e Especiarias, do próprio Nelo.
pesquisaNelusko pesquisou 51 tipos de pimentas que aparecem no livro com dados de sua história, origem e utilização, além de fotos e receitas produzidas com exclusividade para a obra, por Maria Helena Vieira. “São todas receitas simples de fazer, embora em alguns casos haja dificuldade no tipo de pimenta utilizado, que pode não ser encontrado no Brasil. Mas todas elas podem ser substituídas pelas pimentas encontradas por aqui”, diz o autor.
Dividido em três capítulos, fala das capsicum (engloba os principais tipos, como pimentões e pimentas ornamentais), das piperaceas (em sementes) e no fim, das “falsas” pimentas, aqueles condimentos que recebem o nome de pimenta, mas que têm origem as mais diversas, como a pimenta rosa (que não passa de uma semente da aroeira).
Há ainda ensinamentos, como tirar picância da pimenta para quem prefere mais seu aroma, como secá-las, além de receitas de inúmeros pratos doces, salgados, geléias, picles e ainda seus diversos usos medicinais.
históriaOs botânicos acreditam que, originalmente, as plantas da família capsicum ocupavam os territórios que hoje correspondem à Bolívia, México e o Sudeste brasileiro.
Ainda em sua forma silvestre, elas teriam se espalhado por toda América do Sul e Central, subindo até a divisa entre México e Estados Unidos. Milhares de anos depois, descobertas pelos exploradores europeus e transportadas para diferentes países, foram “domesticadas” para o cultivo e, ironicamente, refizeram o caminho de volta para o Novo Mundo, onde o uso das novas variedades também passou a prevalecer sobre as espécies nativas.