Petrônio Gontijo achou o papel do médico Torquato ainda mais interessante quando soube que as primeiras gravações de Essas Mulheres (Record, 18h45) seriam na histórica cidade de Tiradentes, em Minas Gerais. “Foi o que mais me seduziu”, graceja o mineiro de Varginha, que há quase 15 anos mora em São Paulo. A identificação com a cidadezinha, que em cena vira o Rio de Janeiro do Século XIX, não vem de nenhum folheto turístico.
Nos últimos cinco anos, pelo menos uma vez por ano, Petrônio encara os 750 km de distância entre São Paulo e Tiradentes. “Gosto de ir lá para descansar. Conheço cada esquina, cada birosca e até a casa das pessoas”, gaba-se.
Além das visitas periódicas a Minas – uma vez por mês os atores gravam na cidade colonial –, Petrônio destaca a atmosfera romântica da trama de Marcílio Moraes como um dos destaques de Essas Mulheres. Seu personagem, inclusive, é um romântico incurável, justamente apaixonado pela vilã da história, a cruel e sedutora Adelaide, personagem de Adriana Garambone. “São dois personagens muito fortes. Terão muitos embates. Ele, por amá-la demais. Ela, por só querer satisfazer seus caprichos e não buscar o amor de verdade”, explica.
megera Petrônio sabe disso, mas Torquato não. Por isso, o médico bonitão parte com tudo para cima de Adelaide nesses próximos capítulos. Numa visita à casa da moça, ele sucumbe aos encantos da megera e tasca-lhe um beijo. “Ele sabe que ela é voluntariosa, temperamental, faz das suas, mas enxerga um outro lado dela que ela própria desconhece”, teoriza Petrônio.
De qualquer forma, Petrônio defende seu personagem, a quem define como muito carismático. “Ele não é só o médico legal. Tem mesmo desenvoltura social por ser interessado no ser humano. Se fosse hoje, seria fundador de uma ONG”, arrisca o ator.
Leitor assíduo de José de Alencar, Petrônio debruçou-se sobre os livros Senhora, Diva e Lucíola, que serviram de base para a história de Essas Mulheres. “Não escolheram os três aleatoriamente. É uma tríade fascinante”, descreve. Não só as obras de José de Alencar servem de referência para ator. Pela primeira vez interpretando um médico em seus 15 anos de carreira, Petrônio quis saber mais sobre o comportamento desses profissionais, numa época que não existia antibiótico e as cidades eram infestadas de doenças violentas, como febre amarela e malária.
Se cercou de pesquisas e encontrou no livro O Físico, de Noah Gordon um pouco do panorama que imaginava para seu personagem. “O livro mostra como os médicos se comportavam na época, como descobriam as causas de uma doença. Essa busca interessava muito às pessoas”, conta.
colarinho alto Mas há aspectos do passado que não empolgam tanto ao ator. Não especificamente de Essas Mulheres, mas de qualquer trabalho de época – e este é o quinto de Petrônio. “Aquelas roupas são pesadas e a gente sua muito. Mas pelo menos dão a noção do que as pessoas passavam naquele época”, resigna-se o ator, que em cena está sempre com terno de tecido pesado, inclusive colete, chapéu e colarinho alto.
Há pelo menos três anos emendando um trabalho em outro na tevê, Petrônio também é reconhecido por ter feito um caminho alternativo à Globo, onde começou, quando foi protagonista de Salomé, ao lado de Patrícia Pillar. “Agradeço por terem apostado em mim. A vida me mostrou o caminho, não foi uma coisa planejada”, avalia Petrônio, que depois de quatro anos volta à Record.
“Passei uma das fases mais felizes da minha vida aqui”, diz ele, que fez o Zé, um homem louco por histórias em quadrinho em Vidas Cruzadas. Aos 36 anos, o ator não faz muitos planos, mas deixa escapar que prefere não sair de São Paulo para trabalhar.