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Samba-canção faz homenagem a Ary

Arquivo Geral

03/05/2004 0h00

Aimensa obra do compositor Ary Barroso já foi traduzida em disco por artistas do chorinho, samba e até funk (pela Banda Black Rio, nos anos 70). Agora, a música de Ary volta às prateleiras em sua versão mais crua por ele mesmo e pelas grandes personalidades do samba-canção. A EMI Music compilou 28 canções do compositor mineiro, de Ubá, remasterizou e editou no CD duplo Ary Barroso 100 Anos, em referência ao centenário de nascimento do músico completado em novembro do ano passado.

No primeiro disco, o time de frente da Era do Rádio interpreta alguns dos principais temas de Ary. O Rei da Voz, Francisco Alves, abre o disco com a criação maior do compositor: Aquarela do Brasil, seguido da melancolia de Angela Maria em Na Baixa do Sapateiro e da espontaneidade da portuguesa Carmem Miranda (No Tabuleiro da Baiana e Eu Dei…). A formosura do samba-canção fala ainda por intermédio de Dyrcinha Batista, na marchinha carnavalesca Upa! Upa! (Trolinho); Dalva de Oliveira, em Rio de Janeiro e Folha Morta; Trio Irakitan (Os Quindins de Yayá; e a diva do samba Elizeth Cardoso, que protagoniza É Luxo Só e a clássica No Rancho Fundo.

No segundo disco, Ary fala por si. O músico interpreta suas próprias obras ao piano e, algumas vezes, com sua voz enrouquecida. No decorrer das 14 faixas, Ary apresenta-se formalmente ao ouvinte, como fazia nos remotos anos de 1930 como locutor da Rádio Philips. “Num arranjo todo individual, vou executar Na Baixa do Sapateiro, produção que no estrangeiro atende pelo nome simples, porém expressivo, de Bahia”, introduz Ary antes de tocar ao piano a canção posta à faixa dez do CD.

A seleção da trilha que compõe Ary Barroso 100 Anos é do produtor e arranjador carioca Carlos Savalla, nome por trás de obras da Legião Urbana, nos anos 80, e Pato Fu, na década seguinte. Savalla fez excelente trabalho de garimpeiro ao remexer o acervo da EMI. Tirou a poeira dos bolachões e encontrou uma das raras vezes em que Ary divide o estúdio com a Pequena Notável, Carmem Miranda, na canção Como “Vaes” Você?.

Outro achado para a compilação de homenagem aos cem anos de Ary foi a música Choro Brasileiro nº 3, considerado o único chorinho, por definição, composto pelo sambista. “Um chorinho brasileiro tipo velha guarda”, como apresenta Ary Barroso antes de percorrer as notas de seu piano.

O maior mérito do álbum é o resgate dos principais temas criados ao longo de 40 anos da carreira de Ary, interpretados por ele mesmo. Afinal, só Ary Barroso para traduzir com clareza cada verso de sua poesia verde-amarela.

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    03/05/2004 0h00

    Aimensa obra do compositor Ary Barroso já foi traduzida em disco por artistas do chorinho, samba e até funk (pela Banda Black Rio, nos anos 70). Agora, a música de Ary volta às prateleiras em sua versão mais crua por ele mesmo e pelas grandes personalidades do samba-canção. A EMI Music compilou 28 canções do compositor mineiro, de Ubá, remasterizou e editou no CD duplo Ary Barroso 100 Anos, em referência ao centenário de nascimento do músico completado em novembro do ano passado.

    No primeiro disco, o time de frente da Era do Rádio interpreta alguns dos principais temas de Ary. O Rei da Voz, Francisco Alves, abre o disco com a criação maior do compositor: Aquarela do Brasil, seguido da melancolia de Angela Maria em Na Baixa do Sapateiro e da espontaneidade da portuguesa Carmem Miranda (No Tabuleiro da Baiana e Eu Dei…). A formosura do samba-canção fala ainda por intermédio de Dyrcinha Batista, na marchinha carnavalesca Upa! Upa! (Trolinho); Dalva de Oliveira, em Rio de Janeiro e Folha Morta; Trio Irakitan (Os Quindins de Yayá; e a diva do samba Elizeth Cardoso, que protagoniza É Luxo Só e a clássica No Rancho Fundo.

    No segundo disco, Ary fala por si. O músico interpreta suas próprias obras ao piano e, algumas vezes, com sua voz enrouquecida. No decorrer das 14 faixas, Ary apresenta-se formalmente ao ouvinte, como fazia nos remotos anos de 1930 como locutor da Rádio Philips. “Num arranjo todo individual, vou executar Na Baixa do Sapateiro, produção que no estrangeiro atende pelo nome simples, porém expressivo, de Bahia”, introduz Ary antes de tocar ao piano a canção posta à faixa dez do CD.

    A seleção da trilha que compõe Ary Barroso 100 Anos é do produtor e arranjador carioca Carlos Savalla, nome por trás de obras da Legião Urbana, nos anos 80, e Pato Fu, na década seguinte. Savalla fez excelente trabalho de garimpeiro ao remexer o acervo da EMI. Tirou a poeira dos bolachões e encontrou uma das raras vezes em que Ary divide o estúdio com a Pequena Notável, Carmem Miranda, na canção Como “Vaes” Você?.

    Outro achado para a compilação de homenagem aos cem anos de Ary foi a música Choro Brasileiro nº 3, considerado o único chorinho, por definição, composto pelo sambista. “Um chorinho brasileiro tipo velha guarda”, como apresenta Ary Barroso antes de percorrer as notas de seu piano.

    O maior mérito do álbum é o resgate dos principais temas criados ao longo de 40 anos da carreira de Ary, interpretados por ele mesmo. Afinal, só Ary Barroso para traduzir com clareza cada verso de sua poesia verde-amarela.

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