Um giro geográfico, político e econômico por São Paulo, no início do século 20. É o que propõe o terceiro lançamento da coleção Contistas e Cronistas do Brasil, da Martins Fontes Editora, o livro Pela Cidade, que reúne crônicas de Guilherme de Almeida (1990-1969) no Diário Nacional, o órgão oficial do Partido Democrata, em 1927. Sob o pseudônimo de Urbano, Guilherme de Almeida surpreendeu sua legião de admiradores e inimigos ao transformar a seção Pela Cidade na mais lida do seu jornal.
A crônica diária de Guilherme de Almeida falava de tudo, de moda, de política, de costumes, de economia, de cotidiano, de arquitetura, de modernismo, da revolução de 30. Ele questionou a escolha do projeto arquitetônico do Palácio dos Bandeirantes (do Governo do Estado, no Morumbi), reclamou das crianças de colo golfando sobre as roupas dos passageiros ou dos espectadores do teatro, criticou os anúncios publicitários explorando terremotos, divórcios e baleias para vender produtos, declarou “guerra” à Light por causa da péssima sinalização das ruas e direções da cidade.
Esta é a primeira vez que essas crônicas de Guilherme de Almeida são compiladas em livro. São mais de 300 textos originais que diferem de todo o demais trabalho do autor em vários jornais por que passou, até sua morte, em 1969. Esse trabalho teve tamanha importância para Guilherme de Almeida que, em 1967, ele fez um segundo relato sobre aquela época, julho de 1927 a novembro de 1928. Também inédito em livro, o texto Meu Roteiro Sentimental da Cidade de S. Paulo complementa esta compilação.
Natural de Campinas, Gulherme de Almeida foi o primeiro poeta integrante do movimento modernista de 1922 a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em 1930, aos 40 anos de idade. Como jornalista, atuou em São Paulo e no Rio de Janeiro e foi exilado em 1932 depois da Revolução Constitucionalista que levou Getúlio Vargas ao poder e a uma ditadura de 15 anos.