O que você faria se descobrisse que tem uma doença muito grave e só lhe restam três meses de vida? Ao contrário de se desesperar e contar a notícia para todos, a protagonista do filme Minha Vida Sem Mim, Ann (Sarah Polley) senta em um café e faz uma lista de coisas que deve fazer antes de morrer.
Apesar de jovem, Ann já tem duas filhas e elas são exatamente sua maior preocupação. Por isso, começa a gravar fitas K7 para elas ouvirem a cada aniversário, até os 18 anos, dando conselhos para a vida. Decide que, apesar de ser casada e amar seu marido, deve fazer com que outro homem se apaixone por ela. Tímida e sensível, inclui na sua lista ter de colocar unhas postiças, visitar o pai preso há dez anos e ainda dizer tudo o que pensa. O resultado é um filme óbvio, mas que faz chorar pela leveza com que é conduzido o tema morte.
Isabel Coixet, que assina o roteiro e a direção, tirou a sorte grande e teve seu longa produzido pela El Deseo, do diretor espanhol Pedro Almodóvar. Isso trouxe, além de credibilidade e alguns prêmios como o Goya de Melhor Canção Original e Melhor Roteiro Adaptado, o toque pessoal de Almodóvar. Inclusive é possível perceber “sinais dramáticos”, do diretor ao longo do filme. O elenco é outro quesito que pesa na avaliação, com a ótima participação de nomes como Alfred Molina, Amanda Plummer, Mark Ruffalo, Deborah Harry e Maria de Medeiros.